CARGA DE TRABALHO E DIMENSIONAMENTO DE PESSOAL DE ENFERMAGEM EM UNIDADES DE TERAPIA INTENSIVA

Clesnan Mendes-Rodrigues, Karine Ellen Soares Costa, Arthur Velloso Antunes, Fabíola Alves Gomes, Geraldo Júnior Rezende, Durval Veloso Silva

Resumo


Embora escores com intuito de calcular a carga de trabalho em enfermagem sejam comuns, ainda são pouco utilizados na realidade brasileira de Unidades de Terapia Intensiva (UTI). Nesse contexto, o objetivo do trabalho foi avaliar o Nursing Activities Score (NAS) em quatro UTI de um Hospital Universitário, e verificar a relação do NAS com o Sistema de Classificação de Pacientes (SCP), proposta por Santos et al., em uma UTI Adulto, e o efeito sobre o dimensionamento de enfermagem. Todos os escores tiveram distribuição assimétrica e mostraram-se concentrados nas primeiras classes de distribuição. O NAS foi dependente do plantão de avaliação somente para as duas unidades de UTI Neonatal, enquanto não diferiu entre as demais. As UTI Neonatal Tipo III e a Pediátrica indicaram os maiores escores médios e a Neonatal Tipo II o menor. Apesar das diferenças entre plantões para os escores do NAS, o dimensionamento não foi dependente do plantão. O SCPA e o NAS levaram a um dimensionamento diferente, sendo maior para o último, mesmo os dois mostrando-se correlacionáveis. O NAS apresentou boa aplicabilidade nas unidades avaliadas e o sistema de classificação de paciente mostrou-se pouco efetivo em discriminar os pacientes na UTI Adulto, principalmente pela baixa representatividade de pacientes de cuidados mínimos e intermediários. A presença de diferenças entre plantões pode estar relacionada ao maior conhecimento dos pacientes da equipe da manhã, reforçando a necessidade de compreender a avaliação de paciente por diferentes profissionais ou momentos.

 


Palavras-chave


Dimensionamento; enfermagem; sistema de classificação de pacientes; carga de trabalho; nursing activities score

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DOI: http://dx.doi.org/10.13037/ras.vol15n53.4159