LEISHMANIOSE VISCERAL EM ÁREA ENDÊMICA DO SEMIÁRIDO NORDESTINO: PERCEPÇÃO DE AGENTES DE SAÚDE E ENDEMIAS

José Gabriel Gonçalves Lins, Serginara David Rodrigues, Wennia Motta Galdino, Talles Luann Abrantes Ferreira, Jânio Pereira Virgínio, Thais Ferreira Feitosa, Sheila Nogueira Ribeiro Knupp

Resumo


Introdução: A leishmaniose visceral é uma doença parasitária de interesse prioritário, de importância mundial e de caráter zoonótico, que acomete diferentes espécies, dentre elas os cães, gatos, animais silvestres e o homem. A doença tem como vetor o mosquito-palha, do gênero Lutzomyia, da subfamília Phlebotaminae. Objetivo: Objetivou-se avaliar a percepção de agentes comunitários de saúde e de combate às endemias de um município considerado endêmico, diante aos conceitos relacionados à leishmaniose visceral. Materiais e Métodos: O estudo foi desenvolvido entre maio e novembro de 2017, com 60 agentes de saúde e 51 agentes de endemia, selecionados aleatoriamente. Para estes, foi aplicado um questionário estruturado contendo 10 perguntas de múltipla escolha, contendo cinco alternativas em cada pergunta. Após a aplicação dos questionários, foram realizadas palestras e mesas redondas, abordando a epidemiologia, patogenia, profilaxia, controle e tratamento da leishmaniose visceral humana e animal. Resultados: Quanto ao vetor e agente causador, formas de transmissão, de controle e medidas de prevenção da doença, os agentes de combate às endemias apresentaram maior conhecimento comparado aos agentes comunitários de saúde. 83,3% dos agentes comunitários de saúde e de combate às endemias apresentaram conhecimento considerado bom, frente à cadeia epidemiológica, e 67,0% apresentaram conhecimento bom a respeito do tema leishmaniose como zoonose. Conclusões: Os agentes de saúde e de endemias possuem conhecimento a cerca do tema, contudo a realização de cursos de capacitação surge como uma excelente alternativa, para um melhor controle e prevenção da leishmaniose no município estudado.

Palavras-chave


Agente Comunitário de Saúde, Agente de Combate às Endemias, Saúde Pública, Endemicidade.

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DOI: https://doi.org/10.13037/ras.vol18n64.6371

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