Lais Francisca de Souza, e-mail: lais_fsouza150@hotmail.com, Orcid: https://orcid.org/0000-0003-0537-571X, Afiliação institucional: Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Cidade,estado,país), Tiulação: Bacharel em Administração de Empresas com ênfase em finanças pela Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP). Atuo como analista de finanças no Itaú Unibanco ( cidade, estado país), especificamente em custos.
Vinicius Augusto Brunassi Silva, e-mail: vinicius.brunassi@fecap.br, Orcid: https://orcid.org/0000-0002-1299-321X, Afiliação institucional: Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado(cidade, estado, Páis), Titulação: Pesquisador e professor na área de Finanças. Doutor em Administração de Empresas (Finanças) pela FGV. Professor do Mestrado Profissional em Administração (MPA) , do Mestrado Acadêmico em Ciências Contábeis (MACC) e dos cursos de graduação da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP). Atua principalmente nos seguintes temas: finanças corporativas, falência e recuperação de empresas, M&A, governança corporativa e investimentos
Resumo
O artigo avalia a correlação entre variáveis socioeconômicas e demográficas com as percepções dos indivíduos sobre aposentadoria. Para isso, a pesquisa faz uso dos dados da pesquisa “Raio X do investidor”, realizada pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA), com parceria do DataFolha. A investigação foi realizada por meio de análise descritiva e regressão logística, tendo como variável dependente perguntas sobre aposentadoria que captaram questões específicas sobre a temática, como estratégia de aposentadoria, padrão de vida esperado e idade que o indivíduo pretende se aposentar. Os principais resultados apontam para percepções distintas acerca da aposentadoria de acordo com o gênero dos indivíduos. O estudo também reforça que indivíduos com menores níveis de escolaridade e renda são mais propensos a escolher o INSS como estratégia para aposentadoria. Os achados reforçam desigualdades existentes no País e apresentam relevância para agentes políticos e estratégias previdenciária. O artigo contribui ao complementar estudos de finanças pessoais, como Potrich, Vieira e Kirch (2015), inovando com o foco nas questões de aposentadoria.
Palavras-chave: Planejamento. Aposentadoria. Finanças Pessoais.
Abstract
This paper assesses the correlation between socioeconomic and demographic variables with the perceptions of individuals about retirement.Using data from the “Raio X do investidor” a survey conducted by the Brazilian Association of Financial and Capital Markets Entities (ANBIMA) in partnership with DataFolha, we use descriptive analysis and logistic regression to study about retirement that capture different issues as a dependent variable, such as strategy, expected standard of living, and age that individuals intend to retire. Our main results suggest that genders have different perceptions about retirement. The study also reinforces that individuals with lower education and income levels are more likely to choose the INSS as a strategy. The findings reinforce the existing inequalities in the country, being useful for political agents and future strategies of social security evaluation. This research contributes to complement personal finance studies, such as Potrich, Vieira e Kirch (2015), innovating with a focus on retirement.
Keywords: Planning. Retirement . Personal Finances.
O planejamento financeiro é essencial para a realização de objetivos em diferentes momentos da vida. Potrich, Vieira e Kirch (2015) mencionam que a alfabetização financeira é primordial no processo de tomada de decisões.
Cotidianamente, o indivíduo se depara com decisões financeiras que podem afetar sua qualidade de vida no presente e no futuro. É necessário poupar pensando no futuro? Quanto poupar? Quais produtos de aplicação financeira escolher? Quais são os perigos apresentados nas diferentes modalidades de empréstimo? Desta forma, pessoas com maior conhecimento acerca de assuntos que envolvem finanças podem tomar decisões mais assertivas e evitar problemas de natureza financeira ao longo da vida.
Este artigo enfatiza a análise dos indivíduos a respeito da aposentaria. Para isso, foram relacionadas características socioeconômicas e demográficas com a percepção das pessoas sobre o planejamento financeiro para a aposentadoria. Potrich, Vieira e Kirch (2015) apontam que características socioeconômicas e demográficas possuem relação com o nível de alfabetização financeira dos indivíduos. Em adição, Tokar Asaad (2015), confirmando Potrich, Vieira e Kirch (2015) especificam que variáveis como gênero, idade, estado civil, raça, escolaridade, renda própria e renda familiar possuem relação com as decisões financeiras das pessoas.
Do ponto de vista acadêmico, este artigo busca contribuir com as pesquisas realizadas por Tokar Asaad (2015), Shin, Kim e Heath (2019) e Lusardi e Mitchell (2007), ao relacionar diretamente um conjunto de características socioeconômicas e demográficas com as decisões das pessoas sobre aposentadoria. As pesquisas supracitadas enfatizam o nível de alfabetização financeira do indivíduo e, desta forma, não abordam decisões financeiras de maneira isolada.
No que diz respeito ao aspecto prático, esta pesquisa se mostra relevante, em virtude dos acontecimentos recentes relacionados ao tema no Brasil. Em 2019, houve a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição nº6 (PEC 6/2019), transformando-se em Emenda Constitucional nº 103 de 12/11/2019, que, de modo geral, altera parte do sistema da Previdência Social. A principal alteração feita na Emenda aumenta o tempo de contribuição para a aposentadoria, preocupando todos os brasileiros que se apoiam no atual sistema de previdência.
Para atenuar os efeitos da Emenda, o indivíduo pode financiar a própria aposentaria por meio de aplicações financeiras realizadas ao longo da vida, mas, segundo observado por Lusardi e Mitchell (2007), poucas pessoas se planejam para a aposentadoria, pois não possuem conhecimento e planejamento suficiente para tal, sendo um quadro mais dificultoso aos negros e às mulheres. Em adição, Shin, Kim e Heath (2019) mostram que, do grupo de pessoas que poupam, a maioria não investe o suficiente.
Desta forma, com base na literatura referenciada, o artigo apura variáveis socioeconômicas e demográficas, a fim de aferir quais são as principais características que possuem relação com o planejamento da aposentadoria dos brasileiros. Os dados são aproveitados da pesquisa “Raio X do investidor”, feita em 2017, 2018 e 2019, realizada pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA), com parceria do Datafolha.
O estudo é de amplitude nacional e capta mais de 3 mil respondentes por pesquisa. Os questionários, para aplicação da entrevista, de modo geral, mantêm o mesmo conteúdo, facilitando a comparação entre os anos. Resumidamente, as perguntas captam o perfil pessoal do entrevistado, relação do brasileiro com o dinheiro, perfil do investidor, nível de educação financeira e um bloco específico sobre a aposentadoria.
Portanto, as pesquisas foram interligadas e comparadas entre os anos de 2017, 2018 e 2019, a fim de captar uma tendência de comportamento que justifique o mau planejamento financeiro da aposentadoria dos brasileiros e que respondam a seguinte pergunta: Quais são as variáveis socioeconômicas e demográficas que se correlacionam com as percepções dos indivíduos acerca da aposentadoria?
Os achados encontrados confirmam os resultados de alguns estudos citados acerca da educação financeira enfatizando, contudo, a aposentadoria. Em relação ao desejo de se aposentar pelo INSS, foi observado que gênero, o fato de possuir filhos, região, ocupação profissional, renda e escolaridade foram relevantes. Quanto ao fato de contribuir para o INSS, destaca-se região, ocupação, renda e escolaridade. Sobre imaginar o futuro padrão de vida melhor, apenas gênero, o fato de possuir filhos, estado civil, região e ocupação tiveram relevância. Por fim, acerca da idade que o indivíduo deseja aposentar, o estudo ressalta que gênero, região, ocupação e escolaridade foram importantes.
A alfabetização financeira é de suma importância para que os indivíduos tenham capacidade de tomar decisões financeiras coerentes, além de servir como parâmetro para classificar o desenvolvimento do País. Lusardi e Mitchell (2014) aferiram que em diversos países a população possui uma baixa educação financeira. No Brasil, acontece o mesmo, e, segundo Potrich, Vieira e Kirch (2015), os piores índices estão presentes em mulheres negras, de baixa renda e formação acadêmica carente. Como consequência, este é o grupo mais distante de alcançar o bem-estar financeiro.
O comportamento financeiro, por sua vez, indica o conjunto de ações tomadas a respeito da utilização do dinheiro no cotidiano. Tais atitudes são influenciadas pela relação entre nível de confiança (supervalorizar a própria opinião) e conhecimento do indivíduo, em que a confiança precisa ser menor que o conhecimento, já que seu excesso cria um comportamento de risco (TOKAR ASAAD, 2015).
Pensando nos impactos da educação e do comportamento financeiro na aposentadoria, Dos Santos et al. (2017) observam que a maior parte das pessoas que financiam a própria aposentadoria possui ensino superior completo e avalia a idade como um fator importante. A tendência de financiar a própria aposentadoria pode diminuir com o aumento da idade, contudo, isso não significa que os mais jovens são mais preparados. Shin, Kim e Heath (2019) fizeram um estudo em uma universidade dos Estados Unidos e perceberam que a poupança mensal destinada a aposentaria está aquém do recomendado. Em adição, os pesquisadores perceberam que juntar dinheiro para a aposentadoria pode ser considerado um gasto na visão de muitos indivíduos.
A importância de reconhecer o valor que o planejamento financeiro da aposentadoria representa não interessa apenas aos futuros aposentados, e a insuficiência de recurso faz com que as pessoas sejam mais dependentes do suporte público, o qual pode não suportar o volume (VAN ROOIJ; LUSARDI; ALESSIE,2012). Adicionalmente, Lusardi e Mitchell (2014) analisam que a assistência governamental pode interferir em como a população acumula sua própria poupança, fazendo com que estas se sustentem apenas no sistema previdenciário. No Brasil, no entanto, o sistema previdenciário tem sofrido cortes orçamentários, tendendo a conceder mais reponsabilidade aos indivíduos nos próprios planos de aposentadoria (SILVA et al., 2017).
Lusardi e Mitchell (2014) reconhecem que economizar pensando no futuro não é algo trivial, pois é necessário conhecer produtos do mercado financeiro, tanto na teoria quanto na prática, além de identificar quais são as dificuldades pessoais que o indivíduo possui. Desta forma, intervenções governamentais podem ser ineficientes, pois a educação financeira deveria estar alinhada com a expectativa pessoal acerca do assunto (FERNANDES; LYNCH JR; NETEMEYER, 2014).
As diferenças de gênero, no entanto, ainda são consideradas fatores relevantes para as diferenças de conhecimento demostrados em diversas pesquisas (LUSARDI; MITCHELL, 2014; POTRICH; VIEIRA; KIRCH, 2015; SHIN; KIM; HEATH, 2019). As mulheres possuem maior expectativa de vida, logo precisariam considerar essa variável em seus planejamentos, porém, culturalmente, elas são mais suscetíveis aos trabalhos domésticos do que administrar o dinheiro da família (BUCHER‐KOENEN et al., 2017).
Há, no entanto, uma disputa entre poupar dinheiro para o futuro em detrimento dos gastos do presente. Com a expansão do mercado de crédito e a criação de novos produtos financeiros, as pessoas precisam equilibrar o consumo atual, endividamento e planejamento para consumo futuro (MARTINS; DE ARAÚJO FERRAZ, 2018). Soman e Cheema (2002) analisaram que, com a disponibilidade do crédito, o ato de gastar torna-se mais atrativo do que poupar, especialmente aos mais jovens e aos que possuem baixa escolaridade.
Em momentos de crise, Klapper, Lusardi e Panos (2013) confirmaram que a dificuldade de poupar está relacionada ao baixo nível de alfabetização financeira, assim como a facilidade em poupar está relacionada aos altos níveis de educação financeira, porém a qualidade de educação financeira possui forte relação com o nível de renda do indivíduo. Além da renda, Vieira, Moreira e Potrich (2019) demonstraram que os maiores índices de educação financeira são compostos pelos que possuem conhecimento em matemática financeira e produtos de investimento, juntamente com a possibilidade de risco e retorno.
Como os artigos supracitados apontam, as características socioeconômicas e demográficas possuem relação com o nível de alfabetização financeira das pessoas. Desta forma, este artigo pretende avançar e atacar a questão da aposentadoria. Diferente dos trabalhos anteriores, este estudo irá abordar a percepção dos indivíduos sobre a aposentadoria, considerando diferentes regiões do Brasil.
Para a realização da análise empírica acerca da aposentadoria, foram utilizadas as bases disponibilizadas pela ANBIMA, conhecidas como “Raio X do investidor”. A pesquisa é realizada com o apoio do instituto de pesquisa Datafolha, possui alcance nacional e apresenta informações estatísticas referentes ao hábito de poupar e a tomada de decisão de indivíduos em situações que envolvem dinheiro.
O “Raio X do investidor” tem como objetivo capturar o percurso financeiro do brasileiro e acompanhar seu progresso anualmente. A pesquisa realizada pelo Datafolha procura segmentar as pessoas em perfis de investidor. As pesquisas com indivíduos apresentam, em média, duração de 15 minutos e referem-se ao ano anterior, o ‘Raio X do investidor 2018’ foi realizado em 2017 e publicado em abril de 2018; o ‘Raio X do investidor 2019’ foi realizado em 2018 e publicado em março de 2019 e, por fim, o ‘Raio X do investidor 2019 -2020’ foi realizado em 2019 e publicado em junho de 2020.
Segundo o ‘Relatório Raio X do Investidor Brasileiro da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais’ (ANBIMA, 2018, p.6), ‘Relatório Raio X do Investidor Brasileiro’, 2ª edição (ANBIMA, 2019, p.8) e ‘Relatório Raio X do Investidor Brasileiro’, 3 ª edição (ANBIMA, 2020, p.8), para garantir a acurácia dos dados, houve checagem pessoal, por telefone de cerca de 20% das pesquisas, garantindo uma margem de erro de 2 pontos, com nível de confiança de 95%.
Os dados obtidos contêm 3.374, 3.452 e 3.433 respondentes em 2017, 2018 e 2019, respectivamente. Além de perguntas diretas, há a alternativa de analisar dados socioeconômicos, tais como cidade, idade, gênero, classe social, estado civil, quantidade de filhos e escolaridade.
Para este artigo, a primeira estratégia foi investigar as perguntas relacionadas diretamente com aposentadoria. Tais perguntas foram posteriormente utilizadas como variável dependente em nosso estudo. As perguntas foram: “Atualmente você é contribuinte do INSS? ”, “De onde você acredita que virá o dinheiro que te sustentará nessa fase da sua vida? (Aposentadoria) ”, ” Com que idade você pretende se aposentar? ” e “Agora, comparando com o seu padrão de vida atual, na sua aposentadoria ele será: melhor que o atual, igual ao atual ou pior que o atual?”.
Quanto aos dados, a representatividade regional dos respondentes é composta por 45,9% no Sudeste, 17,6% no Nordeste, 15,8% no Sul, 12,3% no Centro-Oeste e, por fim, 8,3% no Norte. Os públicos, para cada estado, estão distribuídos da seguinte forma: 68,9% têm entre 20 e 50 anos, 53,5% são do sexo masculino, 49% dos entrevistados têm ensino médio completo e 49% são casados.
Desta forma, a pesquisa possui um público majoritariamente masculino, estado civil de casado, com presença de jovens e adultos, e público de baixa renda.
A Tabela 1 mostra a matriz de correlação das principais variáveis do estudo, classificadas como: sexo feminino; o fato de possuir filhos; regiões Nordeste e Sudeste; ocupações assalariado e desempregado, renda de até R$998,00 e ensino fundamental completo. Os valores são baixos, o que reforça que não há problemas com colinearidade. As maiores correlações acontecem entre renda de até $998,00 e ser desempregado (0,20); também ocorrem com ensino fundamental incompleto e o fato de possuir filhos (0,19) e com renda de até $998,00 e ser do sexo feminino.
Tabela 1 – Matriz de correlação
|
Sexo Feminino |
Possui Filhos |
Região NE |
Região SE |
Assala- riado |
Desem- pregado |
Renda R$998,00 |
EF. In- completo |
Sexo Feminino |
1,00 |
0,07 |
-0,02 |
0,03 |
-0,01 |
0,07 |
0,14 |
-0,03 |
Possui Filhos |
|
1,00 |
0,004 |
-0,02 |
-0,10 |
-0,04 |
-0,09 |
0,19 |
Região NE |
|
|
1,00 |
-0,43 |
-0,08 |
-0,01 |
0,07 |
-0,01 |
Região SE |
|
|
|
1,00 |
0,02 |
0,05 |
-0,02 |
-0,01 |
Assala- riado |
|
|
|
|
1,00 |
-0,33 |
-0,06 |
-0,05 |
Desem- pregado |
|
|
|
|
|
1,00 |
0,20 |
0,02 |
Renda R$998,00 |
|
|
|
|
|
|
1,00 |
0,09 |
EF. In- completo |
|
|
|
|
|
|
|
1,00 |
Fonte: Elaboração própria
A Tabela 2 apresenta a frequência de respostas para a totalidade de respondentes em 2017, 2018 e 2019, considerando cada questão sobre aposentadoria disponível na base de dados.
Tabela 2 – Respostas sobre aposentadoria
Variável |
|
|
Frequência (Qtd) |
Percentual (%) |
Deseja aposentar pelo INSS |
Não |
3.377 |
43,74 |
|
|
|
Sim |
4.343 |
56,26 |
|
|
|
|
|
Contribuinte INSS |
|
Não |
4.567 |
44,52 |
|
|
Sim |
5.692 |
55,48 |
|
|
|
|
|
Padrão de vida melhor |
|
Não |
4.711 |
54,91 |
|
|
Sim |
3.868 |
45,09 |
|
|
|
|
|
Aposentar até os 65 anos |
|
Não |
795 |
12,01 |
|
|
Sim |
5.825 |
87,99 |
Fonte: Elaboração própria
As informações apresentadas na Tabela 2 revelam que a maioria dos respondentes é contribuinte, deseja aposentar pelo INSS e pretende aposentar até os 65 anos de idade. Em adição, as respostas mostram que a expectativa para o padrão de vida na aposentadoria não é melhor que a situação atual do respondente. Tais apontamentos corroboram os achados de Lusardi e Mitchell (2014) para o Brasil, pois evidenciam a dependência da população no sistema previdenciário.
A Tabela 3 ilustra as respostas sobre aposentadoria considerando recorte por gênero, região, ocupação e renda. É possível aferir que o percentual de mulheres que deseja aposentar pelo INSS e pretende aposentar até 65 anos de idade é maior que o percentual de homens. Contudo, o percentual de mulheres que declarou contribuir com o INSS é menor.
Resultado similar pode ser observado acerca da expectativa de melhoria no futuro padrão de vida. No tocante à região, Sul e Nordeste se destacam na preferência pela aposentadoria pelo INSS. A região Nordeste, entretanto, apresenta o menor percentual de respondentes que declararam contribuição. Além disso, as cinco regiões denotam padrão de resposta similar para o desejo de aposentar até 65 anos.
O recorte por ocupação revela que os perfis assalariado e funcionário público são mais inclinados a aposentar pelo INSS e contribuir para tal finalidade. Contudo, o perfil desempregado sinalizou maior percentual na expectativa de melhoria no futuro padrão de vida. A segregação por nível de renda sinaliza que indivíduos na menor faixa (renda mensal até R$998,00) possuem maior preferência pela aposentadoria pelo INSS e acreditam em melhoria no futuro padrão de vida. Tal faixa, contudo, apresenta a menor contribuição.
Tabela 3. Respostas sobre aposentadoria segregadas por gênero, região, ocupação e renda.
Painel A |
|||||
|
Deseja aposentar pelo INSS |
|
Futuro padrão de vida melhor |
||
|
Respostas (Qtd) |
Respondeu sim (%) |
|
Respostas (Qtd) |
Respondeu sim (%) |
Gênero |
|
|
|
|
|
Homem |
4.218 |
53,70% |
|
4.610 |
47,70% |
Mulher |
3.502 |
59,28% |
|
3.969 |
42,05% |
Região |
|
|
|
|
|
Centro-Oeste |
964 |
56,63% |
|
1.086 |
46,50% |
Nordeste |
1.344 |
59,22% |
|
1.513 |
46,59% |
Norte |
711 |
53,30% |
|
784 |
52,16% |
Sudeste |
3.474 |
54,28% |
|
3.852 |
43,35% |
Sul |
1.277 |
59,98% |
|
1.344 |
43% |
Ocupação |
|
|
|
|
|
Assalariado |
3.808 |
58,53% |
|
4.204 |
45,96% |
Autônomo |
2.309 |
50,58% |
|
2.613 |
45,50% |
Desempregado |
1.230 |
51,30% |
|
1.400 |
50,14% |
Empresário |
818 |
41,56% |
|
881 |
49,37% |
Funcionário Público |
1.139 |
59,26% |
|
1.213 |
41,71% |
Renda |
|
|
|
|
|
Acima de R$4.990 |
815 |
43,19% |
|
2.234 |
47,04% |
De R$2.995 a R$4.990 |
1.062 |
47,77% |
|
2.365 |
45,83% |
De R$1.997 a R$2.994 |
1.511 |
54,86% |
|
2.326 |
44,62% |
De R$999 a R$1.996 |
3.452 |
58,86% |
|
3.909 |
43,33% |
Até R$998 |
1.668 |
61,09% |
|
1.950 |
50,87% |
Painel B |
|||||
|
Pretende aposentar até 65 anos |
|
Contribuinte INSS |
||
|
Respostas (Qtd) |
Respondeu sim (%) |
|
Respostas (Qtd) |
Respondeu sim (%) |
Gênero |
|
|
|
|
|
Homem |
3.644 |
86,69% |
|
5.488 |
56,76% |
Mulher |
2.976 |
89,58% |
|
4.711 |
54,01% |
Região |
|
|
|
|
|
Centro-Oeste |
829 |
85,52% |
|
1.266 |
59,95% |
Nordeste |
1.209 |
89,90% |
|
1.810 |
49,72% |
Norte |
628 |
89,80% |
|
850 |
52,94% |
Sudeste |
2.924 |
87,82% |
|
4.714 |
54,94% |
Sul |
1.030 |
87,08% |
|
1.619 |
61,33% |
Ocupação |
|
|
|
|
|
Assalariado |
3.235 |
88,43% |
|
5.701 |
62,49% |
Autônomo |
1.938 |
86,58% |
|
4.165 |
32,77% |
Desempregado |
1.085 |
85,71% |
|
2.827 |
21,20% |
Empresário |
653 |
84,99% |
|
2.331 |
29,98% |
Funcionário Público |
993 |
88,31% |
|
2.671 |
34,48% |
Renda |
|
|
|
|
|
Acima de R$4.990 |
663 |
88,98% |
|
1.193 |
55,90% |
De R$2.995 a R$4.990 |
882 |
87,52% |
|
1.467 |
59,44% |
De R$1.997 a R$2.994 |
1.280 |
89,37% |
|
2.059 |
61,34% |
De R$999 a R$1.996 |
2.954 |
87,67% |
|
4.548 |
55,76% |
Até R$998 |
1.449 |
88,68% |
|
2.328 |
38,57% |
Fonte: Elaboração própria
Por meio de abordagem estatística, com análises multivariadas, as informações de cada indivíduo, como idade, gênero, ocupação, estado civil, renda e escolaridade foram estudadas em conjunto com as demais variáveis sobre aposentadoria. As variáveis que representam as respostas sobre aposentadoria foram classificadas como variáveis binárias na base de dados.
Como variável dependente, temos as perguntas do Raio X do investidor que capturam a intensão do sujeito sobre a aposentadoria, que serviram para criação das variáveis: “Deseja aposentar pelo INSS”, “Contribuinte INSS”, “Padrão de vida melhor” e “Deseja se aposentar até os 65 anos.
Primeiro, investigamos a percepção dos indivíduos a respeito da renda que deverá ser obtida durante sua aposentadoria. Em seguida, exploramos a percepção do respondente acerca do padrão de vida que ele espera usufruir durante o período de aposentadoria. Por fim, averiguamos qual a faixa de idade desejada para o indivíduo se aposentar.
As variáveis acerca da percepção de aposentadoria supracitadas foram analisadas por meio de regressão logística. Este modelo estatístico é estimado considerando que os resíduos da regressão apresentam uma FDA (Função de Distribuição Acumulada) logística. A variável dependente será binária e diferente em cada uma das regressões. Assim, utilizaremos a seguinte especificação econométrica para as regressões:
Na primeira regressão, temos Y = 1 se o indivíduo responde que sua renda para aposentadoria virá do INSS e Y = 0, caso contrário. Na segunda regressão, temos Y=1 se o indivíduo contribui com o INSS. Na terceira regressão, utilizamos Y = 1 se o indivíduo respondeu que seu padrão de vida será melhor que o atual na fase de aposentadoria. Na quarta regressão, temos Y = 1 se o indivíduo responde que irá se aposentar antes dos 65 anos de idade. Caso contrário, para todas as regressões citadas anteriormente, a variável assumirá valor zero.
Para as variáveis dependente binárias, os resultados obtidos são avaliados por comparação. Isto posto, temos que: sexo masculino, estado civil outros (união das variáveis viúvo e divorciado), região Centro-Oeste, ocupação empresário, renda acima de R$4.990,00 e ensino superior estão ocultas e servindo de comparação para as demais variáveis.
Nos resultados obtidos, foi feito um teste de multicolinearidade, conhecido como fator de variância (VIF – Variance Inflation Factor) e vimos que os valores foram menores que 10, indicando que não houve problema de multicolinearidade, com exceção da idade, visto que “idade 2”, é o quadrado da variável “idade”. Retirando a “idade 2”, este efeito some, o que garante que as análises não possuem redundância de informação.
A variável dependente “Deseja Aposentar pelo INSS”, presente na Tabela 4, captura os indivíduos que demonstraram o interesse de utilizar o INSS na aposentadoria pelo menos uma vez de 5 alternativas possíveis. Foi analisado que, com significância estatística de 5%, na média, indivíduos do sexo feminino apresentam 3% a mais de chance de querer se aposentar pelo INSS em comparação com o sexo masculino. Além disso, podemos aferir que as variáveis “possuir filhos” e “morar no sul do País” contribuem para essa escolha. Na média, indivíduos classificados como autônomo, assalariado, desempregado ou funcionário público apresentam maior propensão a escolher a aposentadoria pelo INSS quando comparados com empresários. A maior diferença está na comparação entre funcionário público e empresário, com inclinação na média de 25%.
É possível verificar que todas as classes de renda mensal inferiores a R$4.991 apresentam, na média, maior inclinação para aposentaria pelo INSS. A principal diferença está na comparação com indivíduos que declararam renda mais baixa (até R$998), com inclinação de 22%. Por fim, a análise de escolaridade aponta que indivíduos que cursaram apenas o Ensino Fundamental (completo e incompleto) possuem maior propensão a escolher a aposentadoria pelo INSS em comparação com indivíduos que concluíram o Ensino Superior. Não encontramos significância estatística para a comparação entre Ensino Médio e Ensino Superior.
Tabela 4 – Deseja aposentar pelo INSS
COM ASSALARIADO |
Coeficiente |
Erro-Padrão |
Inclinação* |
|
Const |
−1,32031 |
0,299027 |
|
*** |
Idade |
−0,00645400 |
0,0131653 |
−0,00157828 |
|
Idade2 |
0,000270816 |
0,000162952 |
0,00 |
* |
Sexo Feminino |
0,132322 |
0,0519074 |
0,03 |
** |
Possui Filhos |
0,168471 |
0,0669128 |
0,04 |
** |
Estado Civil – Casado |
−0,0121149 |
0,0890079 |
−0,00296270 |
|
Estado Civil – Solteiro |
−0,0700888 |
0,0978356 |
−0,0171524 |
|
Região Nordeste |
0,0785016 |
0,0925048 |
0,02 |
|
Região Norte |
−0,106030 |
0,108118 |
−0,0260786 |
|
Região Sudeste |
−0,0970766 |
0,0785915 |
−0,0237491 |
|
Região Sul |
0,180917 |
0,0942467 |
0,04 |
* |
Ocupação - Autônomo/Freelance |
0,271737 |
0,117921 |
0,07 |
** |
Ocupação – Assalariado |
0,738955 |
0,114284 |
0,18 |
*** |
Ocupação - Desempregado |
0,304752 |
0,134068 |
0,07 |
** |
Ocupação - Funcionário Público |
1,15463 |
0,134021 |
0,25 |
*** |
Renda até R$998 |
0,992161 |
0,119634 |
0,22 |
*** |
Renda de R$999 a R$1996 |
0,753922 |
0,107019 |
0,18 |
*** |
Renda de R$1997 a R$2994 |
0,554919 |
0,110706 |
0,13 |
*** |
Renda de R$2995 a R$4990 |
0,289498 |
0,115228 |
0,07 |
** |
Ensino Fundamental - Incompleto |
0,32232 |
0,103979 |
0,08 |
*** |
Ensino Fundamental |
0,251273 |
0,0944214 |
0,06 |
*** |
Ensino Médio |
0,0527398 |
0,0741182 |
0,01 |
|
R-quadrado de McFadden |
0,040378 |
|
|
|
Valores observados |
7137 |
|
|
|
Sensibilidade |
82,09% |
|
|
|
Especificidade |
34,01% |
|
|
|
Classificação correta |
61,43% |
|
|
|
Nota: Esta tabela apresenta resultados obtidos com a utilização de Regressão Logística. Os símbolos ***, ** e * representam significância estatística aos níveis de 1%, 5% e 10%, respectivamente. Como variável dependente, tem-se Y = 1 se o indivíduo responde que sua renda para aposentadoria virá do INSS e Y = 0, caso contrário.
Na Tabela 5, vemos os resultados da variável “Contribuinte INSS”, que seleciona quem contribui com o INSS no momento da realização da pesquisa com os indivíduos. Nesta variável, podemos aferir que indivíduos tendem a contribuir mais com o avanço da idade, com atenção para a inversão de sinal na contribuição à medida que a idade atinge valores mais elevados (aspecto presente na variável idade ao quadrado). Na média, indivíduos que residem no Nordeste tem quase 4% a menos de chance de contribuir, comparados com indivíduos da região Centro Oeste, enquanto indivíduos da região sul tem 8% a mais de chance de contribuir, também, com a mesma comparação.
Em relação ao resultado médio concernente a ocupação dos respondentes, os assalariados têm 27% a mais de chance de contribuição; freelance 20% a menos; desempregado 34% a menos e funcionário público 5% de chance a menos de contribuição, todos comparados com empresários. A renda também se mostrou relevante, sendo que quem recebe até $998,00 apresenta, em média, 18% a menos de chance de contribuir com o INSS quando comparado com quem recebe acima de $4.991. No que tange a escolaridade, a Tabela 5 revela que a chance de contribuir para o INSS é, em média, menor para indivíduos com formação até o Ensino Básico (Fundamental completo, incompleto e Ensino Médio) em comparação com indivíduos com formação superior.
Tabela 5 – Contribuinte INSS
Variável |
Coeficiente |
Erro-Padrão |
Inclinação* |
|
Const |
−2,52997 |
0,309454 |
|
*** |
Idade |
0,163356 |
0,0128357 |
0,0357374 |
*** |
Idade2 |
−0,00168364 |
0,000150182 |
−0,000368331 |
*** |
Sexo Feminino |
−0,0836556 |
0,0570707 |
−0,0183217 |
|
Possui Filhos |
0,121732 |
0,0750682 |
0,0267866 |
|
Estado Civil – Casado |
0,0283343 |
0,0948403 |
0,00619736 |
|
Estado Civil – Solteiro |
−0,0313230 |
0,105043 |
−0,00685869 |
|
Região Nordeste |
−0,172779 |
0,0991318 |
−0,0385149 |
* |
Região Norte |
−0,138666 |
0,117965 |
−0,0309270 |
|
Região Sudeste |
−0,00122378 |
0,0866861 |
−0,000267731 |
|
Região Sul |
0,382369 |
0,106173 |
0,0793859 |
*** |
Ocupação - Autônomo/Freelance |
−0,866135 |
0,120872 |
−0,198927 |
*** |
Ocupação – Assalariado |
1,28254 |
0,124692 |
0,270205 |
*** |
Ocupação - Desempregado |
−1,44084 |
0,141798 |
−0,342948 |
*** |
Ocupação – Funcionário Público |
−0,232148 |
0,136807 |
−0,0523484 |
* |
Renda até R$998 |
−0,776521 |
0,128119 |
−0,180367 |
*** |
Renda de R$999 a R$1996 |
−0,188946 |
0,117129 |
−0,0414821 |
|
Renda de R$1997 a R$2994 |
0,15445 |
0,124284 |
0,0331637 |
|
Renda de R$2995 a R$4990 |
0,182539 |
0,13074 |
0,0388825 |
|
Ensino Fundamental - Incompleto |
−0,588191 |
0,111395 |
−0,136691 |
*** |
Ensino Fundamental |
−0,432749 |
0,104308 |
−0,0988237 |
*** |
Ensino Médio |
−0,150841 |
0,0852238 |
−0,0329605 |
* |
R-quadrado de McFadden |
0,040603 |
|
|
|
Valores observados |
7137 |
|
|
|
Sensibilidade |
85,78% |
|
|
|
Especificidade |
56,50% |
|
|
|
Classificação correta |
75,18% |
|
|
|
Nota: Esta tabela apresenta resultados obtidos com a utilização de Regressão Logística. Os símbolos ***, ** e * representam significância estatística aos níveis de 1%, 5% e 10%, respectivamente. Como variável dependente, tem-se Y=1 se o indivíduo contribui com o INSS e Y = 0, caso contrário.
A regressão “Futuro Padrão de vida melhor” representa quem acredita que o padrão de vida na aposentadoria será melhor que o momento atual. Na Tabela 6, é possível observar que homens são mais otimistas que mulheres acerca do padrão de vida posterior ao momento de aposentadoria, com diferença de 6%. De maneira similar aos resultados anteriores, a região também mostra relevância para a avaliação dos indivíduos sobre o padrão de vida no futuro. Em relação à renda e à escolaridade do indivíduo não encontramos significância estatística para a questão concernente ao padrão de vida.
Tabela 6 – Futuro padrão de vida melhor
Variável |
Coeficiente |
Erro-Padrão |
Inclinação* |
|
Const |
2,38289 |
0,279818 |
|
*** |
Idade |
−0,0828955 |
0,012205 |
−0,0204743 |
*** |
Idade2 |
0,000716373 |
0,000150614 |
0,00 |
*** |
Sexo Feminino |
−0,224340 |
0,0490826 |
−0,0552980 |
*** |
Possui Filhos |
−0,160385 |
0,0627889 |
−0,0396820 |
** |
Estado Civil – Casado |
−0,221748 |
0,0835369 |
−0,0546824 |
*** |
Estado Civil – Solteiro |
−0,159315 |
0,0917016 |
−0,0392768 |
* |
Região Nordeste |
−0,0654152 |
0,0861362 |
−0,0161160 |
|
Região Norte |
0,23098 |
0,102005 |
0,06 |
** |
Região Sudeste |
−0,153896 |
0,073671 |
−0,0379643 |
** |
Região Sul |
−0,179350 |
0,0881379 |
−0,0439261 |
** |
Ocupação - Autônomo/Freelance |
−0,142945 |
0,111872 |
−0,0351526 |
|
Ocupação – Assalariado |
−0,218614 |
0,108486 |
−0,0539011 |
** |
Ocupação - Desempregado |
−0,0902394 |
0,126775 |
−0,0221933 |
|
Ocupação - Funcionário Público |
−0,376235 |
0,12684 |
−0,0906382 |
*** |
Renda até R$998 |
0,176876 |
0,11405 |
0,04 |
|
Renda de R$999 a R$1996 |
−0,106041 |
0,103586 |
−0,0261676 |
|
Renda de R$1997 a R$2994 |
0,0477857 |
0,10732 |
0,01 |
|
Renda de R$2995 a R$4990 |
0,148257 |
0,112301 |
0,04 |
|
Ensino Fundamental - Incompleto |
0,0122464 |
0,0966075 |
0,00 |
|
Ensino Fundamental |
−0,140530 |
0,0896518 |
−0,0345024 |
|
Ensino Médio |
0,0391013 |
0,0711616 |
0,01 |
|
R-quadrado de McFadden |
0,038278 |
|
|
|
Valores observados |
7919 |
|
|
|
Sensibilidade |
41,40% |
|
|
|
Especificidade |
77,36% |
|
|
|
Classificação correta |
61,28% |
|
|
|
Nota: Esta tabela apresenta resultados obtidos com a utilização de Regressão Logística. Os símbolos ***, ** e * representam significância estatística aos níveis de 1%, 5% e 10%, respectivamente. Como variável dependente, tem-se Y = 1 se o indivíduo respondeu que seu padrão de vida será melhor que o atual na fase de aposentadoria e Y = 0, caso contrário.
Por fim, na Tabela 7, a variável dependente “Idade que pretende aposentar - até 65” captura quem deseja aposentar entre 40 e 65 anos (demais idades inferiores foram descartadas). Neste caso, vemos que as mulheres têm, em média, 3% a mais de chance de querer aposentar até 65 anos. Em relação à idade, quem mora no Nordeste tem 4% a mais de chance, Norte 3,8% a mais e o Sudeste 2,7% a mais de chance de querer se aposentar com até 65 anos – todos comparados com a região Centro Oeste.
A ocupação, no entanto, mostrou-se relevante apenas para os assalariados e funcionários públicos com 3,4% e 3,6% a mais que os empresários. Por fim, quem possui ensino fundamental incompleto tem, em média, 3,6% a mais de chance de optar por essa faixa de idade para fins de aposentadoria.
Tabela 7 – Pretende aposentar até 65 anos
Variável |
Coeficiente |
Erro-Padrão |
Inclinação* |
|
Const |
−0,461230 |
0,463665 |
|
|
Idade |
0,112061 |
0,0201447 |
0,0111748 |
*** |
Idade2 |
−0,00144166 |
0,000246587 |
−0,000143763 |
*** |
Sexo Feminino |
0,281738 |
0,0853436 |
0,0278235 |
*** |
Possui Filhos |
0,128784 |
0,109532 |
0,0130333 |
|
Estado Civil – Casado |
−0,0295813 |
0,150935 |
−0,00295075 |
|
Estado Civil – Solteiro |
−0,255577 |
0,164201 |
−0,0259571 |
|
Região Nordeste |
0,464181 |
0,146055 |
0,0413637 |
*** |
Região Norte |
0,431738 |
0,175129 |
0,0375722 |
** |
Região Sudeste |
0,274209 |
0,119999 |
0,0270852 |
** |
Região Sul |
0,133962 |
0,142826 |
0,0128866 |
|
Ocupação - Autônomo/Freelance |
0,0951829 |
0,184379 |
0,00932243 |
|
Ocupação – Assalariado |
0,33926 |
0,179203 |
0,034 |
* |
Ocupação - Desempregado |
0,0780378 |
0,207382 |
0,0076046 |
|
Ocupação - Funcionário Público |
0,408855 |
0,211974 |
0,036 |
* |
Renda até R$998 |
−0,0570661 |
0,199363 |
−0,00576729 |
|
Renda de R$999 a R$1996 |
−0,186489 |
0,179584 |
−0,0187807 |
|
Renda de R$1997 a R$2994 |
−0,100330 |
0,187248 |
−0,0102600 |
|
Renda de R$2995 a R$4990 |
−0,194138 |
0,191863 |
−0,0205235 |
|
Ensino Fundamental - Incompleto |
0,40137 |
0,172053 |
0,0356482 |
** |
Ensino Fundamental |
0,131721 |
0,151174 |
0,0126959 |
|
Ensino Médio |
0,0794848 |
0,12041 |
0,00793593 |
|
R-quadrado de McFadden |
0,024337 |
|
|
|
Valores observados |
6154 |
|
|
|
Sensibilidade |
100% |
|
|
|
Especificidade |
0% |
|
|
|
Classificação correta |
88,12% |
|
|
|
Nota: Esta tabela apresenta resultados obtidos com a utilização de Regressão Logística. Os símbolos ***, ** e * representam significância estatística aos níveis de 1%, 5% e 10%, respectivamente. Como variável dependente, tem-se Y = 1 se o indivíduo responde que irá se aposentar antes dos 65 anos de idade e Y = 0, caso contrário.
.
Em adição aos percentuais de sensibilidade, especificidade e classificação correta apresentados em cada tabela acima para as regressões utilizadas, a Figura 1 mostra a curva ROC, com resultados de área superiores a 60% para todos os modelos utilizados. Coletivamente, foi possível observar que gênero, idade, ocupação, região, renda e escolaridade foram variáveis que se mostraram relevantes ao estudo.
Figura 1 – Curva ROC para cada Regressão Logística
Fonte: Elaboração própria
A variável gênero apresentou significância estatística em três das quatro questões sobre aposentadoria. Em especial, foi possível observar que mulheres possuem preferência pela aposentadoria até os 65 anos de idade e pelo INSS. Em adição, os resultados revelam que mulheres são menos otimistas sobre o padrão de vida na aposentadoria.
No que diz respeito à variável idade, percebemos que a propensão para contribuir com o INSS e o desejo de aposentadoria antes dos 65 anos de idade aumentam de acordo com a idade do indivíduo, mas decrescem após o indivíduo alcançar certo patamar de faixa etária.
O resultado por região foi diversificado e apresenta peculiaridades para cada estado. Por exemplo, considerando o futuro padrão de vida, indivíduos que residem na região Norte são, em média, mais otimistas que indivíduos que residem na região Centro Oeste. Sinal contrário é apurado para indivíduos que residem nas regiões Sudeste e Sul.
Todas as classificações de ocupação sinalizaram maior interesse na aposentadoria pelo INSS quando comparadas com a classe de empresários. Em especial, assalariados e funcionários públicos acreditam que o futuro padrão de vida será pior em comparação com empresários.
No que diz respeito à renda, percebemos que indivíduos com remuneração inferior a R$4.990, representando as 4 menores faixas de classificação por renda, são mais propensos a depender do INSS. Contudo, a classe com menor nível de renda contribui, em média, cerca de 18% menos que os indivíduos classificados na maior faixa de renda. Não é surpreendente que tal diferença ocorra, já que a discrepância entre a remuneração dos grupos é por certo um fator relevante para a contribuição. O resultado evidencia que os indivíduos mais propensos a depender do INSS no futuro são exatamente os mais vulneráveis em termos de renda, com complicações e preocupações cotidianas que podem ganhar destaque em detrimento da educação financeira e da preocupação com a situação financeira de longo prazo.
A variável escolaridade foi crucial para diferentes associações. Indivíduos com menor instrução acadêmica são mais propensos a depender do INSS e também contribuem menos que indivíduos com curso superior. No que diz respeito a faixa de idade para a aposentadoria, indivíduos que não concluíram o Ensino Fundamental são mais propensos a buscar a aposentadoria até os 65 anos de idade. Ou seja, indivíduos com menor grau de instrução acadêmica são mais inclinados a buscar recursos pelo INSS, contribuem menos para a aposentadoria na situação atual e esperam alcançar a aposentadoria mais cedo.
Isto posto, pode-se aferir que o artigo apresenta importantes contribuições para a literatura e realça a necessidade de melhorias na percepção dos brasileiros acerca da aposentadoria. Apesar de estudos relevantes, como Skinner (2007), Van Rooji, Lusardi e Alessie (2012), Hauff et al. (2020) e Gallego-Losada et al. (2022), apontarem para a crescente necessidade de utilização de recursos próprios para o planejamento financeiro visando a aposentadoria, os resultados encontrados neste artigo ressaltam que essa não é a realidade para grande parte dos brasileiros. Desta forma, uma contribuição valiosa deste artigo em relação a literatura supracitada está na evidenciação da persistente dependência de auxílio proveniente do sistema previdenciário para milhares de indivíduos, com distinção para diferentes situações nas dimensões socioeconômica e demográfica. Com isso, o presente estudo contribui também para as pesquisas com enfoque no nível de alfabetização financeira e nas questões socioeconômicas e demográficas, especialmente os estudos de Tokar Asaad (2015) e Potrich, Vieira e Kirch (2015), ao apontar que gênero, estado civil, escolaridade e renda também são importantes para as escolhas sobre aposentadoria.
Em adição, ressaltamos o mérito da pesquisa ao enfatizar a temática aposentadoria utilizando quatro questões específicas para respondentes em todo o território nacional. Ao revelar que indivíduos mais vulneráveis no tocante a renda e escolaridade são mais propensos a depender do INSS, apontamos a necessidade do tópico educação financeira (e especialmente aposentadoria) ser difundido entre as diferentes camadas de classe social no Brasil, com foco na Educação Básica, visto que indivíduos com menor renda e instrução acadêmica são mais suscetíveis a depender de recursos do INSS. Tal fato contribui para as pesquisas de Klapper, Lusardi e Panos (2013), Lusardi e Mitchell (2014), Potrich, Vieira e Kirch (2015) e Shin, Kim e Heath (2019) ao elucidar um tópico especifico sobre educação financeira que merece maior atenção no Brasil.
Diferentemente de Potrich, Vieira e Kirch (2015), que avaliaram o nível de educação financeira para 1.400 respondentes residentes no Rio Grande do Sul, o presente artigo apura decisões financeiras de longo prazo concernentes ao momento da aposentadoria e avalia tais questões com o apoio de uma ampla base de dados contendo informações socioeconômicas e demográficas de indivíduos de todas as regiões do Brasil.
No tocante aos principais achados deste artigo, pode-se salientar diversas similaridades com outras pesquisas. Por exemplo, Lusardi e Mitchell (2007) enfatizam a necessidade do planejamento financeiro para a aposentadoria. Em concordância com o apontamento dos pesquisadores, este estudo reforça tal necessidade e elucida o perfil dos brasileiros que parece apresentar maior distanciamento do que é preconizado pela literatura. Em especial, os resultados apontam que a inclinação para aposentadoria pelo INSS é maior para mulheres, com pior escolaridade, menor faixa salarial e que possuem filhos.
A diferença apurada na avaliação por gênero também está presente em outros estudos. Com dados do Reino Unido, Farrar et al. (2019) mencionam diferenças no nível de planejamento financeiro entre homens e mulheres, com níveis mais baixos de planejamento entre mulheres. Já Demirgüç-Kunt, Klapper e Panos (2016) utilizam informações sobre aposentadoria para indivíduos em mais de 140 países e destacam que apenas cerca de 25% dos adultos poupam enfatizando a aposentadoria. Os pesquisadores sugerem que homens são mais propensos a poupar para a aposentadoria, especialmente em países desenvolvidos. Nosso estudo ressalta a realidade brasileira e elucida a preferência pelo sistema público de aposentaria via INSS, especialmente para mulheres e indivíduos com pior escolaridade e renda.
Apesar de haver poucas pesquisas relacionadas ao planejamento da aposentadoria no Brasil, o artigo conseguiu apurar descritivamente quais são as variáveis socioeconômicas e demográficas que se correlacionam com as percepções dos indivíduos acerca da aposentadoria, considerando as especificidades encontradas no Brasil, como, por exemplo, o excesso de dependência governamental.
No artigo foi possível observar que as mulheres, ao mesmo tempo que desejam se aposentar pelo INSS, contribuem menos que os homens e ainda desejam se aposentar com a idade máxima de 65 anos. Esse resultado reforça a pesquisa de Potrich, Vieira e Kirch (2015) e salienta a importância da alfabetização financeira no Brasil.
Quando nos referimos à escolaridade, é possível observar que quem possui ensino fundamental incompleto ou completo tende a querer aposentar pelo INSS quando comparados àqueles que possuem ensino superior, assim como comentado por Dos Santos et al. (2017). De maneira específica, algo que pode diferir no Brasil é em relação aos funcionários públicos e os assalariados, que tendem a preferir essa opção.
Lusardi e Mitchell (2014) afirmam que a assistência governamental pode interferir no planejamento pessoal da aposentadoria e, apesar dos funcionários públicos quererem se aposentar pelo INSS, estes acreditam que o futuro padrão de vida irá ser pior no momento da aposentadoria em comparação com indivíduos empresários.
Os homens brasileiros contribuem mais para o INSS, querem trabalhar mais antes de aposentar e, consequentemente, esperam um padrão de vida melhor em comparação às mulheres. Porém é importante considerar que isto pode ser uma consequência da estruturação familiar, em que, na maioria das vezes, o homem é responsável pela administração financeira familiar (BUCHER‐KOENEN et al., 2017).
Por fim, este artigo contribui com a análise de variáveis demográficas e socioeconômicas, inovando com o foco nas questões de aposentadoria. As análises feitas neste trabalho podem servir como estratégias para atenuar os futuros impactos na previdência com o envelhecimento da população. Apesar da reforma feita, ela ainda necessita de alterações para que atenda os futuros aposentados. Em adição, o estudo ressalta a necessidade da disseminação de conhecimentos de educação financeira no país, especialmente para indivíduos com pior escolaridade e renda.
Acreditamos que a necessidade de planejamento financeiro individual para a aposentadoria já foi evidenciada por diversas pesquisas. Desta forma, pesquisas futuras podem avaliar a associação entre nível de educação financeira e planejamento para a aposentadoria. É relevante aferir o nível de planejamento com mais detalhes, conhecendo os produtos de aplicação financeira escolhidos para tal finalidade. Pesquisadores podem aferir também se existe associação entre a participação de diferentes modalidades de investimento no portfólio de indivíduos e o planejamento para aposentadoria.
Pesquisas no Brasil ainda carecem de resultados que explorem possíveis associações entre características psicológicas e planejamento para aposentadoria, de maneira similar ao estudo de Tomar et al. (2021), cujo propósito é avaliar relações entre características cognitivas e atitude em relação à aposentadoria. Em adição, como sugestão a futuros trabalhos, pesquisadores podem investigar de que maneira o acesso a recursos tecnológicos pode contribuir para as escolhas de investimento, em especial no tocante a aposentadoria.
Por fim, cabe salientar que o estudo realizado é descritivo e busca apenas apontar associações entre as variáveis utilizadas. Estudos posteriores de natureza causal podem avançar e apresentar maior precisão para os achados deste artigo, além de aferir apontamentos mais assertivos para a realização de políticas públicas.
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