DOI: 10.13037/gr.vol36n107.5569

 

ALOCAÇÃO ESPACIAL E ASSOCIAÇÕES GEOGRÁFICAS DAS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS NOS SETORES PRODUTIVOS DA MICRORREGIÃO DE IMPERATRIZ-MA, BRASIL 

 

SPATIL ALLOCATION AND GEOGRAPHICAL ASSOCIATIONS OF MICRO AND SMALL ENTERPRISES IN THE PRODUCTIVE SECTORS OF THE MICROREGION OF IMPERATRIZ-MA, BRAZIL

 

Antonia Francisca da Silva Saraiva1 

Orcid: https://orcid.org/0000-0002-1428-5110 

Gyllhemberg Nascimento Santiago de Andrade2 

Nilton Marques de Oliveira3

Orcid: https://orcid.org/0000-0001-6485-314X 

Rodolfo Alves da Luz4

Orcid: https://orcid.org/0000-0002-6608-4898 

1,2, 3, 4 (Universidade Federal do Tocantins – UFT)

 

RESUMO

Este artigo analisa a alocação espacial e o grau de associações geográficas das micro e pequenas empresas (MPEs) nos setores produtivos da microrregião de Imperatriz-MA, nos anos de 2008, 2012 e 2016. A metodologia é descritiva com abordagem qualitativa e utilização de dados secundários, retirados da base de dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS). Foram utilizados o indicador de Quociente Locacional (QL) e o Coeficiente de Associação Geográfica (CAG). Os principais resultados sugerem que Imperatriz e Açailândia possuem um sistema de mercado, comércio e serviços aquecido, sendo polarizadores desta microrregião. O setor da agropecuária é um dos principais segmentos na região e o que mais contribuiu para formação do PIB. Boa parte das MPEs da microregião localiza-se em municípios mais desenvolvidos e com melhor infraestrutura.

Palavras-chave: Setores produtivos. Micro e pequenas empresas. Microrregião de Imperatriz-MA.

 

ABSTRACT

This paper analyzes the spatial allocation and the dagree of geographic associations of micro and small enterprises production (MSEs) of the microregion of Imperatriz-MA, in the years 2008, 2012 and 2016. The methodology used is descriptive with a qualitative approach, based in secondary data from the Annual Social Information Relation (RAIS) database. It was calculated the Locational Quotient (QL) indicator and the Geographic Association Coefficient (CAG). The main results suggest that Imperatriz and Açailândia cities have a heated system of market, commerce and services, polarizing the microregion. The agricultural sector is one of the main segments in the region and has most contributed to GDP formation. Good part of MSEs in the microregion are located in more developed municipalities with better infrastructure.

Keywords: Productive sectors. Micro and small enterprises. Microregion of Imperatriz-MA.
 

1 INTRODUÇÃO

As micro e pequenas empresas (MPEs) desempenham um papel relevante no contexto social e econômico do país, justificado pela grande representatividade em quantidade, geração de emprego e renda, e como impulsionadoras do desenvolvimento (LORGA; OPUSZKA, 2013).  As MPEs estão distribuídas nos setores da economia como comércio, serviços, indústria e construção (IBGE, 2018a), dentre estes se salienta o segmento industrial, que vem se destacando (SOUSA, 2005), em especial o de transformação (DADUSH, 2015). 

Desta forma, as micro e pequenas empresas são atores estratégicos e influenciadores do desenvolvimento das regiões e municípios (MAROLLI, 2011). Diante da relevância das MPEs, este artigo analisa os setores produtivos das MPEs dos municípios que compõem a microrregião de Imperatriz - MA, por meio das medidas de localização do Quociente Locacional (QL) e da Associação Geográfica, nos anos de 2008, 2012 e 2016.A microrregião de Imperatriz possui uma população estimada em 566.866 habitantes em 2017, composta por 16 municípios (IBGE, 2018a). No ano de 2016 a microrregião apresentou um número de 6.914 micro e pequenas empresas, que geraram 43.350 empregos formalizados (MTE/RAIS, 2018).

Acompanhando o desenvolvimento do estado do Maranhão a microrregião de Imperatriz, teve um acelerado crescimento econômico e populacional e tem se tornado um potencial no ambiente das MPEs, influenciada pelo crescimento dos setores da economia (CARNEIRO, 2016). Dentro da microrregião, destaque-se o município de Imperatriz, que apresenta bons indicadores econômicos e sociais (OTTATI, 2013).

A cidade de Imperatriz apresentou nos últimos anos um crescimento populacional significativo e polos comercial e industrial que vêm se destacando no estado do Maranhão (BARROS et al., 2012). Ressalta-se ainda que o município é cortado por um importante eixo rodoviário, BR-010, e possui considerável malha rodoviárias entre alguns municípios do Maranhão e algumas cidades dos estados do Pará e Tocantins, essas características propulsionam o desenvolvimento da região (REGINA; QUEIROZ, 2017). Isso posto, este artigo está divido em cinco partes, além desta introdução, a seguir faz-se uma caracterização das micro e pequenas empresas. Na terceira parte, apresenta a metodologia, na sequência os resultados, por fim as considerações finais.

 

2 CARACTERIZAÇÃO DE MICRO E PEQUENAS EMPRESAS

As micro e pequenas empresas pela sua própria natureza têm características que as diferenciam de outras empresas com portes maiores. Assumem características de gestão empresarial, entrada no mercado, geralmente, com conhecimento sobre o assunto não muito aprofundado, e enfrentam um ambiente com grande competitividade (CEZARINO; CAMPOMAR, 2006).

O Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas classifica as micro e pequenas empresas (MPEs) pelo número de funcionário e a atividade produtiva (SEBRAE, 2018). Outro critério para classificação das MPEs é pela receita bruta anual auferida, baseada na legislação especifica Lei 123/06 e na sua alteração Lei 155/16, conhecida como a Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas (BRASIL, 2006; 2016). A Tabela 1 apresenta a classificação do SEBRAE e da legislação.


Tabela 1 - Classificação das micro e pequenas empresas

TIPO DE EMPRESA

N° FUNCIONÁRIO

ATIVIDADE

RECEITA BRUTA ANUAL

Microempresa

Até 9

Comércio/Serviço

Até R$ 360.000,00

Até 19

Indústria

Empresa de Pequeno Porte

De 10 até 49

Comércio/Serviço

De R$ 360.000,01 até R$ 4.800.000,00

De 20 até 99

Indústria

    Fonte: Adaptado do SEBRAE (2018); Brasil (2006; 2016)

 

Segundo Oliveira (2004) e Souza et al. (2016), as principais contribuições das MPEs são geração de empregos e renda e participação no Produto Interno Bruto (PIB) do país, além de serem atores influentes no desenvolvimento econômico e social de diversas regiões do país.

As MPEs são consideradas um dos principais pilares da economia brasileira, pois vem contribuindo para o desenvolvimento das regiões, sendo um importante instrumento de estabilidade social e influenciando na distribuição de renda do País (KOTESKI, 2004 e LORGA; OPUSZKA, 2013).

Conforme Leone (1999) e IBGE (2003), são identificadas algumas características das MPEs (Quadro 1). Dessa forma, essas características determinam a direção das MPEs dependendo de como são gerenciadas. Dentro deste contexto, o Quadro 1 apresenta as principais características das MPEs, que estão presentes no ambiente que as envolvem.

Para Deitos (2002) as características desejadas podem ser consideradas elementos potencializadores na contribuição do desenvolvimento das MPEs. Ainda existem características presentes nestas empresas que para o autor, são consideradas contraditórias para o desempenho das mesmas.

 

Quadro 1 - As principais características das MPEs

CARACTERISTICAS DAS MPES

Alta taxa de natalidade;

Alta taxa de mortalidade;

Características competitivas;

Baixo salário;

Flexibilidade de adaptar às mudanças;

Baixo investimento em inovação tecnológica;

Proximidade do mercado e do cliente;

Dificuldade de acesso aos financiamentos;

Geração empregos formais;

Mão de obra não qualificada/semiqualificada; 

Forte presença de proprietários/poder centralizador;

Pouca utilização das informações contábeis, muitas vezes não existe;

Ausência de burocracia interna;

Baixo grau de diversificação na produção;

Rapidez em respostas;

Falta de recursos humano e financeiro;

Demografia elevada;

Alta carga tributária;

Estrutura organizacional simples;

Má gestão.

Fonte: Adaptado de Leone (1999); Deitos (2002); IBGE (2003)

 

Algumas dessas características apresentadas no Quadro 1, como exemplo competitividade, alta taxa de natalidade, entre outras, são consideradas importantes mecanismos de equilíbrio para as MPEs, pois levam as empresas a reagirem mais rápido e acompanhar o mercado globalizado (DEITOS, 2002). Já as características como má gestão, alta taxa de cargas tributárias, entre outras, para o autor, são impedimentos que atrapalham o crescimento das MPEs.

Ainda neste contexto, uma das principais características das MPEs é a falta de experiência e conhecimento em gestão dos proprietários (BUENO, 2003). Os problemas com as MPEs estão relacionados com a heterogeneidade, ou seja, cada proprietário administra de diferente maneira (LEONE, 1999), e muitos casos com ações gerenciais que podem causar danos. Um problema comum gerado por falta de conhecimento e gestão é o acesso aos financiamentos, por não apresentarem demonstrações contábeis que oferecem a garantia de pagamento (patrimônio) (ARROIO; SCERRI, 2014).  

Essas são as principais barreiras que impedem o desenvolvimento das MPEs. Mesmo com essas barreiras no estado do Maranhão as MPEs apresentam uma grande importância para o desenvolvimento, se destacando em todos os setores da economia como agentes influentes (SAMPAIO, 2017). Não sendo diferente na microrregião de Imperatriz.

 

2.1 MICRORREGIÃO DE IMPERATRIZ-MA

 

A microrregião de Imperatriz está localizada a oeste do estado do Maranhão, é composta pelos municípios de: Açailândia, Amarante do Maranhão, Buritirana, Cidelândia, Davinópolis, Governador Edison Lobão, Imperatriz, Itinga do Maranhão, João Lisboa, Lajeado Novo, Montes Altos, Ribamar Fiquene, São Francisco do Brejão, São Pedro da Água Branca, Senador La Rocque e Vila Nova dos Martírios (IBGE, 2018a), Figura 1.

 

Figura 1 - Localização da Microrregião de Imperatriz – MA

Fonte: Adaptado do IBGE (2018d)

A microrregião apresenta uma localização privilegiada, colabora ativamente para o desenvolvimento do Maranhão e influencia diretamente os setores da economia no estado (CARDOSO; CARNIELLO; OLIVEIRA, 2014). Vários fatores contribuíram para o seu desenvolvimento, como, por exemplo, a abertura da rodovia Belém-Brasília, que faz a ligação da região Centro-Oeste e o Norte do Brasil, favorecendo a migração para essa região, e servindo também como um relevante eixo de escoamento de produtos. Outros fatores contribuintes se relacionam aos ciclos econômicos como o do gado, da madeira e do ouro (KELLER, 1975; FRANKLIN, 2008). Este cenário contribuiu para que a microrregião de Imperatriz se tornasse uma das mais importantes do Maranhão.

A cidade de Imperatriz assume o posto de cidade polarizadora. Sendo a segunda mais populosa do estado, com população estimada em 254.569 habitantes em 2017 (IBGE, 2018b), atrás apenas da capital São Luís, o município de Imperatriz se destaca economicamente em vários segmentos como: comércio, prestação de serviço, indústria e o agronegócio (BARROS et al., 2012). Cabe destacar também, o município de Açailândia, que se sobressai como um importante polo industrial na atividade da exploração de minérios.

Em geral, todos os municípios contribuem positivamente no cenário que se refere à presença e instalação de MPEs e de número de empregos gerados na microrregião de Imperatriz. A relevância quantitativa das MPEs e dos empregos gerados apresenta-se atrelada à predisposição de cada município para o desenvolvimento das atividades dos setores da economia. E estes estão relacionados às condições geográficas para as instalações das MPEs e da infraestrutura oferecida no local.

3 METODOLOGIA

Este artigo se caracteriza como descritivo, pois observa e descreve as características dos setores sem interferir nos fatos (GIL, 2017), bem como qualitativo, não tendo o objetivo de medir, mas sim de ter maior familiaridade com os fenômenos estudados (MARCONI; LAKATOS 2017). A área de estudo é a microrregião de Imperatriz-MA e os anos selecionados para a análise foram 2008, 2012 e 2016.

Para analisar a dinâmica regional e a influência das MPEs na microrregião de Imperatriz-MA foi utilizado a ferramenta proposto por Alves (2012) e Oliveira e Piffer (2018), que apontam que a especialização se dá de forma dinamizada e evidenciam quais setores tendem a atrair uma demanda externa e/ou exportação, mobilizando outras atividades produtivas da região. Para selecionar os dados secundários de número de empregos formais e o ramo de atividade das MPEs foi utilizado o critério do SEBRAE (Tabela 1), bem como, extraídas informações da base de dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) e do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) dos anos de 2008, 2012 e 2016.

Depois de escolhida a variável de análise, no caso o emprego formal gerado pelas MPEs da microrregião de Imperatriz, optou-se por utilizar o indicador de Quociente Locacional (QL) e o Coeficiente de Associação Geográfica (CAG). O primeiro aponta os setores com maiores especializações nos municípios da microrregião de Imperatriz, partindo do comportamento locacional de distintos ramos de atividades. O segundo mostra se a distribuição de um determinado setor ou ramo de atividade é análogo ou similar à distribuição de outro setor, dentro da área de estudo.

Diversos trabalhos têm utilizado essas medidas para analisar os setores produtivos dos estados e microrregiões, entre os quais citam-se: Piffer (2009) analisou o desenvolvimento dos setores produtivos do estado do Paraná, por meio de medidas de localização e especialização. Alves e Marques da Costa (2013) pesquisaram sobre a distribuição espacial das atividades econômicas no Sul do Brasil, com enfoque nas novas dinâmicas de um mundo globalizado. Souza, Alves e Piffer (2014) estudaram a reestruturação produtiva das mesorregiões do Brasil entre 1985 e 2010, mostrando uma nova espacialização do capital produtivo. Carvalho et al. (2018) aplicaram essa metodologia de análise regional para analisar o perfil do emprego nos municípios da Microrregião de Porto Nacional entre 2005 e 2015. Oliveira e Piffer (2018) estimaram os indicadores de análise regional dos ramos produtivos para o estado do Tocantins entre 2000 e 2010.

O QL confronta a quantidade de empregos gerados por um determinado ramo de atividade com a sua relevância em uma região predeterminada, neste caso a Microrregião de Imperatriz.

A Equação 1 do QL (ALVES, 2012) é representada da seguinte forma:

 

QL  =

Eij / Eit

1

Etj / Ett


Onde:

QL = Quociente Locacional;

Eij = Emprego formal do setor (i) do município (j);

Eit = Total de empregos no município (j);

Etj = Emprego no setor (i) na região de referência;

Ett = Total de empregos na região de referência.

 

O Quociente Locacional mostra o desempenho locacional dos setores de atividades, destacando os mais influentes nas regiões (ALVES, 2012). Desta forma, é possível comparar o percentual de participação das pessoas ocupadas em cada setor da economia. Quando o QL assume valores maiores ou igual a 1 o setor é considerado influente ou de alta relevância, QL entre 0,50 e 0,99 indica uma influência média, já os valores entre 0 e 0,49 apontam baixa importância do ramo de atividade do município no contexto regional.

O Coeficiente de Associação Geográfica (CAG) permite ter um perfil sobre os padrões locacionais dos ramos de atividades e possíveis associações geográficas. Para Alves (2012) e Oliveira (2015) a associação geográfica geralmente ocorre em setores que são complementares no processo de produção, onde a maior eficiência do processo produtivo requer a presença de mais de um setor.

A Equação 2 permite encontrar o valor do CAG e investigar se a distribuição espacial de um determinado setor é análoga à distribuição de outro setor de atividades no município (ALVES, 2012). 

 

Onde

CAG = Coeficiente de Associação Geográfica;

∑ = Somatório do município analisado;

jei = percentual de um setor (setor i) do município;

jek = percentual de outro setor (setor k);

2 = inerente à fórmula

 

Quanto mais próximo de zero (0), o setor i terá distribuição espacial semelhante a do setor k, entre as localidades/regiões analisadas (ALVES, 2012). Dessa forma, é possível definir se um setor possui tendências ou necessidades de associação geográfica a outro, ou seja, apresenta uma semelhança ao padrão de distribuição espacial. 

Para análise da região de referência, microrregião de Imperatriz, foram utilizados oito subsetores da economia que são: extrativa mineral; indústria de transformação; serviços industriais de utilidade pública; construção civil, comércio; serviços; administração pública; agropecuária, extração vegetal, caça e pesca (IBGE, 2018c).

4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS

Nesta seção são apresentados os resultados por meio da análise das atividades produtiva das MPEs (com a aplicação dos indicadores QL e CAG, com a variável base de empregos formais) dos oito subsetores da economia, nos anos de 2008, 2012 e 2016 da Microrregião de Imperatriz - MA.

O primeiro setor de análise foi o extrativista mineral. Este setor é responsável pela extração de minérios, como: brita; calcário; minério de ferro, este último de grande significância inclusive para além dos limites da microrregião, uma vez que o Brasil é um dos grandes exportadores de minérios do mundo (OLIVERIA, 2015).

No setor de extrativa mineral das MPEs (Figura 2), os municípios com mais destaques nos anos de 2008, 2012 e 2016 foram Governador Edson Lobão e Ribamar Fiquene apresentando QL ≥ 1 nos três anos pesquisados. Imperatriz, maior cidade da microrregião, por sua vez manteve um quociente médio nos anos de 2008 e 2012, tendo um crescimento no ano 2016, no mesmo ano o município de Itinga do Maranhão teve uma queda, apresentando QL com valores baixos e perdendo representação e influência deste setor no município e na microrregião.

 

Figura 2 - QL do setor extrativa mineral das MPEs da microrregião de Imperatriz nos anos de 2008, 2012 e 2016

Fonte: Resultados da pesquisa (2018)

Mesmo não sendo predominante na microrregião de Imperatriz, a indústria extrativa mineral tem contribuído com o setor da construção civil e da indústria de transformação por meio do fornecimento de areia, argila, cascalho, seixos e calcário.

O setor de indústria de transformação (Figura 3) na microrregião de Imperatriz está diversificando a economia na segunda maior cidade maranhense e em seus municípios vizinhos. Em 2014 entrou em funcionamento uma fábrica de papel e celulose em Imperatriz, que tem aumentado o PIB da região, além de incrementar a exportação, gerando renda e emprego e impulsionou o crescimento das MPEs (REGINA; QUEIROZ, 2017). A microrregião, ainda conta com a indústria moveleira, frigoríficos, laticínios e indústria de alimentos e bebidas. Houve, também, a implantação de empresas processadoras de grãos (arroz, soja e milho) (SAMPAIO, 2017).

 

Figura 3 - QL do setor de indústria de transformação das MPEs da microrregião de Imperatriz nos anos de 2008, 2012 e 2016

Fonte: Resultados da pesquisa (2018)

No setor de indústria de transformação das MPEs (Figura 3) os municípios mais influentes nos anos pesquisados e que mantiveram o seu nível de importância foram Açailândia e Governador Edson Lobão. Os municípios de Itinga do Maranhão, João Lisboa e Davinópolis não mantiveram valores de QL acima de um, contudo, este setor ainda se mostrou relevante nestes municípios.

O município de Imperatriz apresentou um QL intermediário nos três anos estudados, o que pode ser explicado pelo fato de situar-se na área de influência de grandes projetos já estabelecidos, como a mineração da Serra dos Carajás (Marabá/Parauapebas-PA), a mineração do igarapé Salobro (Marabá/Parauapebas-PA), a Ferrovia Carajás/Itaqui, a Ferrovia Norte-Sul, as indústrias Guzeiras (Açailândia-MA), o que acaba por resultar em números mais elevados, maior importância e preferência das MPE deste setor (IMPERATRIZ, 2018).

No segmento da construção civil, o município que apresentou maior destaque na sua economia interna e na microrregião, foi o município de Imperatriz (Figura 4). Este possui maior número populacional dentre os municípios da microrregião, o que ocasiona maior busca por imóveis urbanos e significativa construção dos mesmos, somando isto aos investimentos do governo do Estado em obras de infraestrutura em programas como: mais Asfalto, Escola digna e Água para todos, além de revitalizações de avenidas e pontos importantes da cidade, este setor conseguiu alavancar a geração de empregos e a participação das MPEs.

O município de Vila Nova dos Martírios no ano de 2016 apresentou um salto no QL, em relação aos anos de 2008 e 2012, sobretudo por investimentos executados pelo governo municipal, com verba advinda do Programa de Aceleração do Crescimento – PAC, na infraestrutura pública. O município de Açailândia teve um QL intermediário nos anos avaliados, mostrando estabilidade média no setor. 

Figura 4 - QL do setor de Construção Civil da microrregião de Imperatriz nos anos de 2008, 2012 e 2016

Fonte: Resultados da pesquisa (2018)

 

O setor de serviços industriais de utilidade pública representa as atividades que são disponibilizadas diretamente pelo poder público ou por terceiros, devidamente regulamentados, estes abrangem: os serviços de transporte coletivo, energia elétrica, água, gás, redes de esgoto, telefonia etc.

No ramo de atividade de serviços industriais de utilidade pública (Figura 5) o município de Amarante do Maranhão apresentou no ano de 2008 o QL elevado devido às obras do sistema de abastecimento de água, o que gerou um ano atípico neste setor no cenário municipal. Outro município, onde se pode notar o QL considerado alto, no setor de serviços industriais de utilidades pública das MPEs, foi Ribamar Fiquene, que obteve o QL expressivo, devido aos serviços de pavimentações asfálticas. 

O município de Imperatriz se destaca neste setor mantendo sempre os valores de QL acima de um, nos três anos pesquisados, mostrando a influência deste setor no município. O município de Açailândia, que apresentou um crescimento neste setor nos últimos anos pesquisados, pode ser classificado como intermediário nos anos de 2012 e 2016.

 

Figura 5 - QL do setor de serviços industriais de utilidades pública das MPEs da microrregião nos anos de 2008, 2012 e 2016

Fonte: Resultados da pesquisa (2018)

Este destaque da cidade de Imperatriz no setor de serviços industriais de utilidade pública pode ser explicado pelo crescimento populacional que está ocorrendo na microrregião no período analisado, o que tem resultado no aumento da demanda pelos produtos deste setor.

No setor de comércio (Figura 6), os municípios com maior destaque, foram Imperatriz e São Pedro da Água Branca. O município de Imperatriz, por possui um sistema de mercado e comércio bastante aquecido, torna-se polarizador da microrregião neste setor. O comércio nos municípios de Imperatriz e São Pedro da Água Branca são influenciados pelos municípios do entorno, tanto do Maranhão quanto dos estados vizinhos, Tocantins e Pará. 

Outro fator importante que corrobora com o destaque do município de Imperatriz, a estabilidade de Açailândia e Itinga do Maranhão; é a presença da rodovia BR-010, conhecida neste trecho como rodovia Belém-Brasília. Somada à infraestrutura oferecida e ao grande fluxo de pessoas e mercadorias, a presença da rodovia aquece o comércio e oferece um cenário positivo para as MPEs.

Os municípios de Açailândia, Amarante do Maranhão e Itinga do Maranhão, continuaram estáveis neste setor nos anos pesquisados, mantendo importância intermediária dentro da microrregião.

Figura 6 - QL do setor de comércio das MPEs da microrregião de Imperatriz nos anos de 2008, 2012 e 2016

Fonte: Resultados da pesquisa (2018)

 

Juntamente com o setor de comércio, o setor de serviços representa a maior porcentagem do Produto Interno Bruto (PIB) nacional e é um dos grandes geradores de empregos formais no país.  Não obstante a isso, na última década o Produto Interno Bruto (PIB) do município de Imperatriz (polarizadora da região nos setores de Comércio e Serviços) cresceu 22%, um dos maiores índices do Brasil, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE, 2018e).

A figura 7 apresenta os resultados do setor serviços na microrregião de Imperatriz.

Figura 7: QL do setor de serviços das MPEs da microrregião de Imperatriz nos anos de 2008, 2012 e 2016

Fonte: Resultados da pesquisa (2018)

No ramo de serviços não houve significativa variação no cenário, tanto no âmbito dos municípios, quanto na relevância destes na microrregião. Açailândia e Imperatriz destacaram-se nos anos pesquisados.  O setor de serviços no Maranhão é o terceiro de maior relevância, ficando atrás apenas dos setores de agropecuária e indústria na composição do PIB estadual (IBGE, 2018b).

Já o setor da Administração pública representa o funcionalismo público e predomina principalmente nos pequenos municípios, apresentando ausência de outros ramos produtivos para promover o desenvolvimento. Este setor possui relevante destaque em praticamente todos os municípios da microrregião (Figura 8) em comparação aos demais setores. Em Imperatriz e Açailândia, que possuem grande peso nos setores de serviços e indústria, nota-se um arrefecimento do impacto do setor de Administração pública na economia.

O caso de picos de variação como os dos municípios de Ribamar Fiquene e São Pedro da Água Branca é explicado por tomadas de decisões das gestões governamentais, sobretudo municipal, a respeito da folha de servidores (des)contratados e elaboração de concursos públicos para o quadro de funcionalismo do municipal.

 

Figura 8 - QL do setor da administração pública das MPEs da microrregião de Imperatriz nos anos de 2008, 2012 e 2016

Fonte: Resultados da pesquisa (2018)

 

Observou-se que o setor da Administração pública apresentou QL ≥ 1 na maioria dos municípios, implicando que não constitui atividade básica na microrregião, no entanto, quando se analisa a participação percentual, esse setor é bem significativo na distribuição do emprego, em outras palavras, o poder público ainda é o maior empregador nos interiores do país (OLIVEIRA, 2015). 

A agropecuária é o segmento com maior peso na economia do estado do Maranhão, sendo o setor que mais contribui para o PIB do estado. Nos municípios da microrregião de Imperatriz o setor de agropecuária, extrativismo vegetal, caça e pesca foi o que mais apresentou consistência e menor variação nos cenários municipais nos anos pesquisados (Figura 9), sendo possível ainda, observar seu crescimento e maior consolidação entre os anos de 2012 e 2016.

Entretanto, na contramão dos municípios da microrregião, o município de Imperatriz não apresentou influência da agropecuária na sua economia local, mostrando-se como um campo pouco atrativo para o crescimento de MPEs deste setor. 

Diante dos dados pesquisados pode-se afirmar que neste município os setores de comércio e de serviços assumem o protagonismo frente aos outros setores, muito disso deve-se a relevante dinâmica urbana e às demandas dos municípios vizinhos, o que coloca as atividades agrícolas, pecuárias e de extrativismo vegetal em um patamar abaixo do que se observa nos demais municípios da microrregião.

Figura 9 - QL do setor da agropecuária, extrativismo vegetal e caça e pesca das MPEs da microrregião de Imperatriz nos anos de 2008, 2012 e 2016

Fonte: Resultados da pesquisa (2018)

 

A partir dos resultados descritos acima, é possível afirmar que o setor de agropecuária, extração vegetal, caça e pesca dos municípios da microrregião de Imperatriz tem por base a produção primária de exportação, como a da soja, do milho, da pecuária, dos minérios, dentre outros.

Com relação ao coeficiente da Associação Geográfica, este tem por objetivo mostrar se os padrões locacionais são associados geograficamente. Quanto mais próximo de zero (0) o setor evidenciado (nomes) apresentará um padrão de distribuição espacial semelhante ao setor verificado (barras coloridas). Para o ano de 2016, os coeficientes para microrregião de Imperatriz- MA são apresentados na Figura 10. Acerca da distribuição espacial de um determinado setor em relação à de outro, pode-se afirmar que, na microrregião de Imperatriz, os setores de comércio e serviços tendem a se associar geograficamente, sendo, muitas vezes, complementares em seus processos de mercado. 

Os setores de serviços industriais de utilidade pública, comércio, e construção civil também apresentaram significativas padronização locacional e associação, indicando que uma relevante parte da produção do primeiro setor é absorvida pelos outros dois. O setor de agropecuária mostrou ser o que menos tende a associar-se geograficamente com os outros setores analisados, em grande parte, isto se explica pelo fato de a maior parte da produção ser direcionada para exportação.

Já o setor da Administração pública, apesar de apresentar índices de associação geográfica melhor que os da agropecuária, também se mostra fraco neste sentido. Muito por conta de esse setor ter suas logísticas atreladas ao funcionalismo público voltado para atender demandas e ordenamento dos interesses públicos. Sendo assim, muitas vezes este setor exerce o pioneirismo ao se instalar num determinado local/região, e possuindo outros apelos, que não o de atração por outros setores da economia. 

 

Figura 10 - Grau de associação geográfica dos setores produtivos na Microrregião de Imperatriz – MA - 2016

Fonte: Resultados da pesquisa (2018)

 

Observou-se que o setor terciário contribui para a integração espacial da microrregião de Imperatriz; em seguida o setor de transformação, esses setores de certa forma drenam, atraem ou dispersam as atividades produtivas na região. Apesar das disparidades geoeconômicas nos municípios dessa microrregião, a estrutura produtiva está em processo de consolidação e amadurecimento.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este artigo analisou os oito subsetores da geoeconomia na microrregião de Imperatriz-MA com atuação da MPEs, com a finalidade de evidenciar a alocação espacial das micro e pequenas empresas, as mais influentes e as características de associação. Foram encontrados resultados através da aplicação do método de análise regional a partir dos indicadores do Quociente Locacional (QL) e do Coeficiente de Associação Geográfica (CAG), utilizando os dados de emprego formal da base de dados RAIS nos anos de 2008, 2012 e 2016. 

Os resultados apontaram que todos os municípios da microrregião apresentaram variação no cálculo do QL, no entanto os municípios de Imperatriz e Açailândia se apresentaram como os que mais possuem vantagem locacionais na maioria dos setores, obtendo valores altos em setores como: construção civil; serviços industriais de utilidade pública; comércio; indústria de transformação e serviços.  

A teoria do lugar central afirma que o desenvolvimento e o crescimento das áreas urbanas dependem do tipo de serviço fornecido ao seu entorno, ou seja, as áreas de mercado disposta para cada aglomeração urbana. A partir das áreas de influência, estabelece-se a hierarquia das aglomerações no espaço regional. Isto é, quanto maior a centralidade, maior a área de influência e mais aglomerações na “órbita” de um centro (CHRISTALLER, 1966). Este processo pode ser verificado na região, com a centralidade no município de Imperatriz. Pode-se inferir que essas vantagens locacionais são atrativas para a instalação de indústrias de grande e médio porte, como foi o caso da indústria de papel e celulose, além de frigoríficos, laticínios, menciona-se, também, o fortalecimento da construção civil em Imperatriz e a demanda dos municípios vizinhos, diversificando a economia na segunda maior cidade maranhense.

Os setores de administração pública e de agropecuária possuíram a maior concentração na análise regional nos anos de 2008, 2012 e 2016, mostrando que detêm importante influência na microrregião de Imperatriz. Apesar da alta influência, o setor de agropecuária possui uma fraca associação geográfica, o que indica seu baixo poder de atração, mas em contrapartida apresenta alta significância no campo da exportação. 

Por fim, conclui-se que as atividades produtivas na microrregião de Imperatriz são dinâmicas, dessa forma, as MPEs possuem um considerável campo locacional. As MPEs que mais corroboram para desenvolvimento da região se localizam em municípios mais desenvolvidos e com melhor infraestrutura, e neles tendem a concentrar-se e especializar-se no setor terciário. As MPEs que se localizam nos municípios com um menor número população ou de menor relevância econômica na microrregião tendem a ter um maior potencial nos setores de administração pública e agropecuário.

A contribuição desta pesquisa é acadêmica devido à metodologia de pesquisa utilizada e organizacional, por permitir aos gestores públicos, e população em geral, conhecer os municípios com os setores mais e menos influentes na microrregião de Imperatriz e assim subsidiar políticas públicas direcionadas as MPEs.

Como sugestão para estudos futuros uma comparação com outras microrregiões do entorno e com a capital do estado do Maranhão.

 

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Antonia Francisca da Silva Saraiva1 

Graduada em Ciências Contábeis e em Recursos Humanos, possuí Mestrado em Desenvolvimento Regional - Bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão - FAPEMA. Universidade Federal do Tocantins – UFT. Palmas - Tocantins –TO, Brasil. E-mail: antonyafc@hotmail.com 

 

Gyllhemberg Nascimento Santiago de Andrade2

Mestrando (Aluno Especial) do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional (PPGDR), Universidade Federal do Tocantins - UFT, Palmas - TO. Universidade Federal do Tocantins – UFT, Palmas -Tocantins – TO, Brasil. 

 

Nilton Marques de Oliveira3

Professor do Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Regional e do Curso de Ciências Econômicas da UFT. Líder do Grupo de Pesquisa em Desenvolvimento Regional e Territorial do Centro Norte do Brasil (DRT- Centro Norte). Universidade Federal do Tocantins – UFT, Palmas – Tocantins – TO, Brasil. E-mail: niltonmarques@mail.uft.edu.br 

 

Rodolfo Alves da Luz4

Professor do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional (PPGDR), Universidade Federal do Tocantins - UFT, Palmas - TO. Universidade Federal do Tocantins, Palmas – Tocantins – TO, Brasil. E-mail: rodolfodaluz@mail.uft.edu.br 

 

Recebido em: 24/08/2018

Aprovado em: 15/02/2019