Sofrimento dos profissionais que atuam no setor de oncologia em um hospital público de Joinville, SC

Arlene Laurenti Monterrosa Ayala, Amábile Cristina Rosa Felicio, Jessyca Pachão

Resumo


Introdução: É possível constatar que o trabalho em saúde, especialmente em oncologia, exige do trabalhador o trato cotidiano com o sofrimento alheio e a morte. Essa exigência traz diversas implicações para a saúde física e mental deles, para além de outras atividades de serviço. Objetivo: O estudo teve como propósito identificar o sofrimento e a presença de Transtornos Mentais Comuns (TMC) em quinze profissionais que atuam em uma unidade que atende pacientes oncológicos de um hospital geral no município de Joinville/SC. Materiais e métodos: Trata-se de estudo descritivo que utilizou como técnica de coleta de dados um questionário com perguntas abertas e fechadas, especialmente desenvolvido para conhecer as características dos profissionais em estudo e para a avaliação da presença de Transtornos Mentais Comuns (TMC). Foram aplicadas vinte perguntas extraídas do Self-reporting questionnaire (SRQ-20). Resultados: Os entrevistados tinham média de idade de 41,46 anos, sendo a maioria mulheres com menos de cinco anos trabalhados na unidade oncológica. Foram encontrados fatores que influenciam o trabalho dos profissionais no setor de oncologia, que podem ser descritos como aqueles relacionados às condições de trabalho, dificuldade em lidar com a terminalidade do paciente oncológico e relação com familiares. A partir da aplicação do questionário SRQ-20, identificou-se que 20% dos trabalhadores apresentaram rastreamento positivo para TMC e 73,34% dos entrevistados afirmaram ter alguma queixa. Conclusão: Tais resultados indicam a necessidade de intervenção, visando melhorar as condições gerais de trabalho e fornecer suporte emocional ao coletivo de trabalhadores.


Palavras-chave


Enfermagem Oncológica, Transtornos Mentais, Condições de Trabalho

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DOI: https://doi.org/10.13037/ras.vol15n51.4376

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