Perfil clínico e epidemiológico da doença de chagas aguda no estado de Minas Gerais

Cláudia Marta Luiz Pereira, Ana Paula Azevedo, Sandra da Silva Barros Marinho, Karina Andrade de Prince, Jaqueline Teixeira Teles Gonçalves, Marina Ramos Costa, Luçandra Ramos Espírito Santo

Resumo


Introdução: O estado de Minas Gerais apresenta números bastante expressivos da endemia chagásica e, apesar de as tentativas de controle da doença apresentarem resultados positivos, ainda surge número significativo de casos em várias de suas regiões. Objetivo: Conhecer os aspectos clínicos e epidemiológicos da doença de Chagas aguda no estado de Minas Gerais. Metodologia: Trata-se de um estudo descritivo, documental, de abordagem quantitativa, que teve como cenário o estado de Minas Gerais. Os dados foram coletados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) do Ministério da Saúde, considerando o número de casos notificados no período de 2001 a 2006. Utilizaram-se as fichas de notificação preenchidas quando houve suspeita de um dos agravos da lista das doenças de notificação compulsória, e as fichas de investigação de doença de Chagas aguda. As principais variáveis obtidas foram: macrorregião de saúde, zona de residência, modo de infecção e evolução do caso. Resultados: Foram registrados, entre os anos de 2001 e 2006 em Minas Gerais, 84 casos de doença de Chagas aguda. A região com maior número de casos foi a oeste, seguida pela região norte. A maioria dos indivíduos era residente na zona urbana. O principal modo de infecção foi o vetorial, e a maioria dos casos evoluiu para remissão das manifestações clínicas. Conclusão: Conhecer os aspectos clínicos e epidemiológicos da doença de Chagas e divulgar os achados permitirá a elaboração e a implementação de estratégias de combate à cronificação da doença.


Palavras-chave


Doença de Chagas, Epidemiologia, Sistemas de informação em saúde, Notificação de doenças.

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DOI: https://doi.org/10.13037/ras.vol15n52.4523

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