"CADÊ O TATUADOR?" CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE PROFISSIONAL E ESTIGMA DE MULHERES NA PROFISSÃO TATUADORA
DOI:
https://doi.org/10.13037/gr.vol38n114.7497Palavras-chave:
Identidade profissional, Tatuagem, EstigmaResumo
O estudo objetivou investigar como acontece o desenvolvimento da identidade profissional sob as condições de estigma de ser tatuadora, baseado na teoria de Slay e Smith (2011). Esta pesquisa é caracterizada como qualitativa, realizada mediante entrevistas semiestruturadas com 15 tatuadoras brasileiras. Os resultados apontam que a marginalização da profissão acontece principalmente por não ser uma profissão regulamentada, e que falta uma uniformidade na aprendizagem do ofício quanto à biossegurança. Ademais, tem ocorrido uma ressignificação do estigma da mulher em razão do crescimento de mulheres na profissão, sobretudo por conta de uma nova visão de um trabalho artístico da profissão e da possibilidade de marcar momentos importantes na pele das pessoas. Esses resultados podem contribuir para ampliar a compreensão de como acontece a ressignificação da identidade profissional da mulher como tatuadora, mostrando que o que antes era apenas uma atividade marginalizada, passa a ter um novo sentido, um novo olhar.
Downloads
Referências
ADAMS, J. Cleaning up the dirty work: Professionalization and the management of stigma in the cosmetic surgery and tattoo industries. Deviant Behavior, v. 33, n. 3, p. 149-167, 2012.
BARDIN, L. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70; 2011.
BROWN, A. D. Identities and identity work in organizations. International Journal of Management Reviews, v. 17, n. 1, p. 20-40, 2015.
CAPPELLE, M. C. A.; MELO, M. C. O. L. Mulheres policiais, relações de poder e de gênero na Polícia Militar de Minas Gerais. RAM. Revista de Administração Mackenzie, v. 11, p. 71-99, 2010.
COLLIS, J.; HUSSEY, R. Pesquisa em administração: um guia prático para alunos de graduação e pós-graduação. Bookman, 2005.
DANN, C. CALLAGHAN, J. Meaningâ€making in women's tattooed bodies. Social and Personality Psychology Compass, v. 13, n. 3, p. e12438, 2019.
DELUCA, G.; GRISCI, C. L. I.; LAZZAROTTO, G. D. R. Trabalhar e tatuar-se: estratégia de inventar a vida. Psicologia & Sociedade, v. 30, 2018.
DELUCA, G.; ROCHA-DE-OLIVEIRA, S. Inked careers: tattooing professional paths. BAR-Brazilian Administration Review, v. 13, n. 4, 2017.
FARLEY, C. L.; HOOVER, C. V.; RADEMEYER, C. Women and Tattoos: Fashion, Meaning, and Implications for Health. Journal of Midwifery & Women's Health, v. 64, n. 2, p. 154-169, 2019.
GOFFMAN, E. Estigma: notas sobre a manipulação da identidade. Tradução: Mathias Lambert, v. 4, 1988.
IBARRA, H. Provisional selves: Experimenting with image and identity in professional adaptation. Administrative Science Quarterly, v. 44, n. 4, p. 764-791, 1999.
IBARRA, H.; BARBULESCU, R. Identity as narrative: Prevalence, effectiveness, and consequences of narrative identity work in macro work role transitions. Academy of Management Review, v. 35, n. 1, p. 135-154, 2010.
JACKSON, D. Developing pre-professional identity in undergraduates through work-integrated learning. Higher Education, v. 74, n. 5, p. 833-853, 2017.
KIRA, M.; BALKIN, D. B. Interactions between work and identities: Thriving, withering, or redefining the self? Human Resource Management Review, v. 24, n. 2, p. 131-143, 2014.
KLUGER, N. Tatoués, qui êtes-vous? Caractéristiques démographiques et comportementales des personnes tatouées. In: Annales de dermatologie et de vénéréologie. Elsevier Masson, 2015. p. 410-420.
LANE, D. C. Tat's all folks: An analysis of tattoo literature. Sociology Compass, v. 8, n. 4, p. 398-410, 2014.
LARSEN, G.; PATTERSON, M.; MARKHAM, L. A deviant art: Tattooâ€related stigma in an era of commodification. Psychology & Marketing, v. 31, n. 8, p. 670-681, 2014.
LINK, B. G.; PHELAN, J. C. Conceptualizing stigma. Annual Review of Sociology, v. 27, n. 1, p. 363-385, 2001.
MAJOR, B.; O'BRIEN, L. T. The social psychology of stigma. Annu. Rev. Psychol., v. 56, p. 393-421, 2005.
OLIVEIRA, R. C. A.; MOURA, R. G. Profession: Female Tattoo Artist-Workers in an Eminently Male World (and Market). Revista FSA, v. 18, n. 6, 2021.
PRATT, M. G.; ROCKMANN, K. W.; KAUFMANN, J. B. Constructing professional identity: The role of work and identity learning cycles in the customization of identity among medical residents. Academy of Management Journal, v. 49, n. 2, p. 235-262, 2006.
ROSSI, F.; HUNGER, D. Identidade docente e formação continuada: um estudo à luz das teorias de Zygmunt Bauman e Claude Dubar. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, v. 101, n. 258, p. 313-336, 2020.
ROSSIT, R. A. S.; FREITAS, M. A. D. O.; BATISTA, S. H. S. D. S.; BATISTA, N. A. Construção da identidade profissional na educação interprofissional em saúde: percepção de egressos. Interface-Comunicação, Saúde, Educação, v. 22, p. 1399-1410, 2018.
SCHLÖSSER, A.; GIACOMOZZI, A. I.; CAMARGO, B. V.; SILVA, E. Z. P. D.; XAVIER, M. Tattooed and Non-Tattooed Women: Motivation, Social Practices and Risk Behavior. Psico-USF, v. 25, n. 1, p. 51-62, 2020.
SIMPSON, R.; PULLEN, A. Cool'Meanings: Tattoo Artists, Body Work and Organizational 'Bodyscape. Work, Employment and Society, v. 32, n. 1, p. 169-185, 2018.
SIQUEIRA, D. P.; SAMPARO, A. J. F. Os direitos da mulher no mercado de trabalho: da discriminação de gênero à luta pela igualdade. Revista Direito em Debate, v. 26, n. 48, p. 287-325, 2017.
SLAY, H. S.; SMITH, D. A. Professional identity construction: Using narrative to understand the negotiation of professional and stigmatized cultural identities. Human Relations, v. 64, n. 1, p. 85-107, 2011.
SWAMI, V.; FURNHAM, A. Unattractive, promiscuous and heavy drinkers: Perceptions of women with tattoos. Body Image, v. 4, n. 4, p. 343-352, 2007.
THOMPSON, B. Y. Covered in ink: Tattoos, women and the politics of the body. NYU Press, 2015.
THOMPSON, B. Y. Women covered in ink: tattoo collecting as serious leisure. International Journal of the Sociology of Leisure, v. 2, n. 3, p. 285-299, 2019a.
THOMPSON, B. Y. LA Ink: tattooing, gender, and the casual leisure of tattoo television. International Journal of the Sociology of Leisure, v. 2, n. 3, p. 301-316, 2019b.
TOYOKI, S.; BROWN, A. D. Stigma, identity and power: Managing stigmatized identities through discourse. Human Relations, v. 67, n. 6, p. 715-737, 2014.
VOUGH, H. C.; CARDADOR, M. T.; BEDNAR, J. S.; DANE, E.; PRATT, M. G. What clients don't get about my profession: A model of perceived role-based image discrepancies. Academy of Management Journal, v. 56, n. 4, p. 1050-1080, 2013.
WILLE, B.; DE FRUYT, F. Vocations as a source of identity: Reciprocal relations between Big Five personality traits and RIASEC characteristics over 15 years. Journal of Applied Psychology, v. 99, n. 2, p. 262, 2014.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Direitos autorais (c) 2022 Rafaela de Almeida Araújo, Isabella Carneiro Catrib, Luis Eduardo Brandão Paiva, Tereza Cristina Batista de Lima (Autor)

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
- Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a https://creativecommons.org/
licenses/by-nc-nd/4.0/, permitindo o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria do trabalho e publicação inicial nesta revista. - Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
- Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado (Veja O Efeito do Acesso Livre).














