REGIME TERAPÊUTICO E QUALIDADE DE VIDA DE PACIENTES HIPERTENSOS

Paulo Henrique Ribeiro Fernandes Almeida, Ingrid Novaes Leão, Bruno Gonçalves de Oliveira, Brígida Dias Fernandes, Juliana Álvares, Wânia Cristina Silva, Mauricio Monsalve David, Gisele da Silveira Lemos, Cláudio Henrique Meira Mascarenhas

Resumo


Introdução: Portadores de doenças crônicas não transmissíveis, como a Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS), podem ter sua qualidade de vida (QV) comprometida por fatores relacionados a sua condição clínica e ao manejo da mesma. Objetivo: Avaliar se o regime terapêutico é um fator associado à QV de portadores de HAS. Metodologia: Trata-se de um estudo transversal, realizado com 235 usuários de 27 unidades do Programa de Saúde da Família da cidade de Jequié/BA, com amostra representativa da população. Utilizou-se um questionário com 4 blocos temáticos: sociodemográficos, clínicos, uso de medicamentos e, por fim, a QV foi aferida pelo Quality of Life-Bref Questionnaire (WHOQOL-bref). Resultados: Dos 235 hipertensos 74,9% eram do sexo feminino, 91% possuíam 50 anos ou mais, 81,7% tinham baixa escolaridade e 74% de etnia negra. Foi evidenciado que a maior mediana da QV ficou com domínio relações sociais (71,7) e a menor mediana do domínio meio ambiente (56,25). Os diuréticos e antagonistas do receptor da angiotensina II foram os mais prescritos, sendo a politerapia o regime terapêutico mais frequente (75,7%). Obteve-se resultados significativos no comprometimento da QV, com destaque para o domínio físico e o Índice Geral de Qualidade de vida (IGQV) com o uso de medicamentos em politerapia com os testes de Kruskal-Wallis e Mann-Whitney. Conclusão: O regime terapêutico mostrou-se importante para compreensão da QV em hipertensos, sendo que as variáveis levantadas mostraram maiores escores da QV em tratamentos com um menor número de fármacos.


Palavras-chave


Hipertensão, qualidade de vida, uso de medicamentos

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DOI: http://dx.doi.org/10.13037/ras.vol16n58.5331