PRÁTICAS ALIMENTARES E INTRODUÇÃO DA ALIMENTAÇÃO COMPLEMENTAR DE LACTENTES EXPOSTOS À TRANSMISSÃO VERTICAL DO HIV

Autores

  • Priscila Marino Queiroz Universidade de São Paulo
  • Paula Cunha Lemos Universidade Federal do Triângulo Mineiro
  • Fábio da Veiga Ued Universidade de São Paulo

DOI:

https://doi.org/10.13037/ras.vol15n53.4686

Palavras-chave:

HIV, transmissão vertical, alimentação artificial, comportamento alimentar, nutrição do lactente

Resumo

Introdução: A impossibilidade da prática do aleitamento materno por mães HIV positivas contribui para alterações no padrão alimentar de seus filhos nos primeiros meses de vida. Objetivo: Analisar as práticas alimentares de lactentes expostos ao HIV, verificando-se o tipo de aleitamento praticado pelas mães, a diluição e o preparo do leite oferecido, o período e a forma de introdução da alimentação complementar, bem como os grupos alimentares oferecidos aos lactentes. Materiais e métodos: Estudo transversal, descritivo, realizado com crianças de 6 a 24 meses de idade. Os dados foram obtidos através de entrevista semiestruturada e consulta ao prontuário. Resultados: Todos os lactentes (n=32) iniciaram o uso da fórmula infantil após o nascimento, entretanto, 18,8% das mães diluíam a fórmula incorretamente. Não houve relato de aleitamento materno, porém 59,4% das crianças receberam leite de vaca antes dos doze meses. Em 31,2% dos casos a alimentação complementar foi introduzida antes do sexto mês, e alimentos como ovos, peixes, legumes e verduras ainda não foram oferecidos a todas as crianças. Além disso, alimentos industrializados fontes de carboidratos simples, sódio e gordura foram introduzidos a partir do quinto mês. Conclusões: A substituição do leite materno por fórmulas infantis foi adequada. Contudo, evidenciou-se inadequação na diluição das fórmulas, introdução inoportuna do leite de vaca e da alimentação complementar, oferta reduzida de leguminosas, carnes, ovos, legumes e verduras, e consumo inapropriado de alimentos industrializados e/ou ultraprocessados nos primeiros meses de vida. Tais práticas contribuem para alterações do estado nutricional e desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis.

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Biografia do Autor

Priscila Marino Queiroz, Universidade de São Paulo

Programa de Pós-graduação em Saúde na Comunidade pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da Universidade de São Paulo (USP).

Paula Cunha Lemos, Universidade Federal do Triângulo Mineiro

Programa de Residência Integrada Multiprofissional em Saúde, Saúde da Criança e do Adolescente pela Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM).

Fábio da Veiga Ued, Universidade de São Paulo

Programa de Pós-graduação em Saúde da Criança e do Adolescente pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da Universidade de São Paulo (USP). Docente do Departamento de Nutrição da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM).

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Publicado

18-10-2017

Edição

Seção

ARTIGOS ORIGINAIS