PRÁTICAS ALIMENTARES E INTRODUÇÃO DA ALIMENTAÇÃO COMPLEMENTAR DE LACTENTES EXPOSTOS À TRANSMISSÃO VERTICAL DO HIV

Priscila Marino Queiroz, Paula Cunha Lemos, Fábio da Veiga Ued

Resumo


Introdução: A impossibilidade da prática do aleitamento materno por mães HIV positivas contribui para alterações no padrão alimentar de seus filhos nos primeiros meses de vida. Objetivo: Analisar as práticas alimentares de lactentes expostos ao HIV, verificando-se o tipo de aleitamento praticado pelas mães, a diluição e o preparo do leite oferecido, o período e a forma de introdução da alimentação complementar, bem como os grupos alimentares oferecidos aos lactentes. Materiais e métodos: Estudo transversal, descritivo, realizado com crianças de 6 a 24 meses de idade. Os dados foram obtidos através de entrevista semiestruturada e consulta ao prontuário. Resultados: Todos os lactentes (n=32) iniciaram o uso da fórmula infantil após o nascimento, entretanto, 18,8% das mães diluíam a fórmula incorretamente. Não houve relato de aleitamento materno, porém 59,4% das crianças receberam leite de vaca antes dos doze meses. Em 31,2% dos casos a alimentação complementar foi introduzida antes do sexto mês, e alimentos como ovos, peixes, legumes e verduras ainda não foram oferecidos a todas as crianças. Além disso, alimentos industrializados fontes de carboidratos simples, sódio e gordura foram introduzidos a partir do quinto mês. Conclusões: A substituição do leite materno por fórmulas infantis foi adequada. Contudo, evidenciou-se inadequação na diluição das fórmulas, introdução inoportuna do leite de vaca e da alimentação complementar, oferta reduzida de leguminosas, carnes, ovos, legumes e verduras, e consumo inapropriado de alimentos industrializados e/ou ultraprocessados nos primeiros meses de vida. Tais práticas contribuem para alterações do estado nutricional e desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis.


Palavras-chave


HIV; transmissão vertical; alimentação artificial; comportamento alimentar; nutrição do lactente

Texto completo:

PDF

Referências


Luzuriaga K, McQuilken P, Alimenti A, Somasundaran M, Hesselton R, Sullivan JL. Early viremia and immune responses in vertical human immunodeficiency virus type 1 infection. J Infect Dis. 1993;167(5):1008-13.

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Programa Nacional de DST e Aids. Recomendações para profilaxia da transmissão vertical do HIV e terapia antirretroviral em gestantes. Brasília, DF: Ministério da Saúde; 2010. 172 p.

Lima GS, Braga TDA, Meneses JA. Neonatologia: Instituto Materno-Infantil de Pernambuco (IMIP). Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2004. 400 p.

Silveira PP, Portella AK, Goldani MZ, Barbieri MA. Developmental origins of health and disease (DOHaD). J Pediatr (Rio J). 2007;83(6):494-504.

World Health Organization. The optimal duration of exclusive breastfeeding: results of a WHO systematic review. Indian Pediatr. 2001;38(5):565-7.

Brasil. Ministério da Saúde. Organização Pan-Americana da Saúde. Guia alimentar para crianças menores de 2 anos de idade. Brasília, DF: Ministério da Saúde; 2005. 152 p.

World Health Organization. Guidelines on HIV and infant feeding: principles and recommendations for infant feeding in the context of HIV and a summary of evidence. Geneva: WHO; 2010.

Brasil. Ministério da Saúde. Portaria nº 97, de 28 de agosto de 1995 [Internet]. Diário Oficial da União. Brasília, DF; n. 166, 20 ago 1995 [citado em 2017 out 18]. Disponível em: https://goo.gl/oAGTHx

Lacerda EMA. Infecção pelo HIV na infância. In: Accioly E, Saunders C, Lacerda EMA. Nutrição em obstetrícia e pediatria. 2ª ed. São Paulo: Cultura Médica; 2009. p. 447-64.

Patin RV, Palchetti CZ, Oliveira FLC. Criança e adolescente com SIDA. In: Palma D, Escrivão MAMS, Oliveira FLC, editores. Guia de nutrição clínica na infância e na adolescência. Barueri: Manole; 2009. p. 571-82.

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Manual normativo para profissionais de saúde de maternidades: referência para mulheres que não podem amamentar. Brasília, DF: Ministério da Saúde; 2005. 32 p.

Fundo das Nações Unidas para a Infância. Como prevenir a transmissão vertical do HIV e da sífilis no seu município. Brasília, DF: Unicef; 2008. 36 p.

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Programa Nacional de DST e Aids. Implicações éticas do diagnóstico e da triagem sorológica do HIV. Brasília, DF: Ministério da Saúde; 2004. 68 p.

Paim BS, Souza GC. Práticas alimentares de crianças expostas à transmissão vertical do HIV acompanhadas em quatro serviços especializados de Porto Alegre/RS. Rev HCPA. 2010;30(3):252-7.

Brasil. Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde. Programa Nacional de DST e Aids. Protocolo para a prevenção de transmissão vertical de HIV e sífilis: manual de bolso. Brasília, DF: Ministério da Saúde; 2007. 178 p.

Caetano MC, Ortiz TTO, Silva SGL, Souza FIS, Sarni ROS. Complementary feeding: inappropriate practices in infants. J Pediatr (Rio J). 2010;86(3):196-201.

Brasil. Ministério da Saúde. Saúde da criança: nutrição infantil: aleitamento materno e alimentação complementar. Brasília, DF: Ministério da Saúde; 2009. 112 p.

Sociedade Brasileira de Pediatria. Departamento de Nutrologia. Manual de orientação para a alimentação do lactente, do pré-escolar, do escolar, do adolescente e na escola. 3ª ed. Rio de Janeiro: SBP, 2012. 148 p.

Santos Neto ET, Faria CP, Barbosa ML, Oliveira AE, Zandonade E. Association between food consumption in the first months of life and socioeconomic status: a longitudinal study. Rev Nutr. 2009;22(5):675-85.

Audi CAF, Corrêa AMS, Latorre MRDO. Alimentos complementares e fatores associados ao aleitamento materno e ao aleitamento materno exclusivo em lactentes até 12 meses de vida em Itapira, São Paulo, 1999. Rev Bras Saúde Matern Infant. 2003;3(1):85-93.

Vieira GO, Silva LR, Vieira TO, Almeida JAG, Cabral VA. Hábitos alimentares de crianças menores de 1 ano amamentadas e não-amamentadas. J Pediatr (Rio J). 2004;80(5):411-6.

Bernardi JLD, Jordão RE, Barros Filho AA. Alimentação complementar de lactentes em uma cidade desenvolvida no contexto de um país em desenvolvimento. Rev Panam Salud Publica. 2009;26(5):405-11.




DOI: https://doi.org/10.13037/ras.vol15n53.4686

Indexadores: