COMPORTAMENTO ALIMENTAR E FATORES ASSOCIADOS EM SERVIDORES: CONTRIBUIÇÕES PARA A SAÚDE COLETIVA

Mariana Pimentel Gomes Souza, Rafaella Sampaio, Ana Carolina Montenegro Cavalcante, Soraia Pinheiro Machado Arruda, Francisco José Maia Pinto

Resumo


Introdução: O comportamento alimentar é definido como um conjunto de ações realizadas desde o momento da escolha do alimento a ser consumido. Comportamentos alimentares de risco podem desencadear o desenvolvimento de patologias e transtornos alimentares. Objetivo: refletir e discutir sobre o comportamento alimentar e os fatores associados em servidores. Método: Trata-se de uma revisão narrativa realizada com base em periódicos nacionais e internacionais abordando assuntos relacionados ao tema. As bases consultadas foram Bireme, LILACS, SciELO, Pubmed e portal de periódicos CAPES. Resultados: A pesquisa bibliográfica revelou que fatores relacionados ao estresse frequente derivado da rotina e pressão em relação ao desempenho no trabalho são indicativos de que alguns trabalhadores sejam um grupo susceptível a comportamentos alimentares de risco. A associação bidirecional entre qualidade de vida e desordens do comportamento alimentar vem sendo evidenciada e o estresse psicológico e a qualidade de vida referente ao bem-estar mental estiveram relacionados com a piora dos sintomas de desordens alimentares. Além disso, revelou-se que sintomas de desordens alimentares contribuíram em intensificar o estresse psicológico e reduzir os níveis de qualidade de vida. Conclusões: Através do estudo reforça-se que os distúrbios no comportamento alimentar provenientes de alterações psicológicas como ansiedade, estresse e atitudes alimentares a fim de reduzir tensões, podem ocasionar o consumo excessivo de alimentos resultando em obesidade. Assim, o ambiente de trabalho é o local ideal para o desenvolvimento de estudos investigativos, diagnósticos e de intervenção para doenças, pois o indivíduo passa a maior parte da sua vida nesse ambiente.


Palavras-chave


Comportamento alimentar; Estado nutricional; Qualidade de vida; Saúde coletiva

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DOI: https://doi.org/10.13037/ras.vol18n63.6162

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