Cuidados primários em saúde na atenção à população em situação de rua

Autores

DOI:

https://doi.org/10.13037/ras.vol19n67.6691

Palavras-chave:

Atenção Primária à Saúde, Pessoas em Situação de Rua, Pessoal de Saúde.

Resumo

Introdução: o fenômeno situação de rua constitui-se um desafio para sua compreensão, dimensionamento, diagnósticos diversos e para a definição de estratégias para enfrentar as condições de vulnerabilidade, entre elas as de saúde. Objetivo: descrever as ações desenvolvidas pelos profissionais de saúde e as dificuldades vivenciadas no atendimento à população em situação de rua. Métodos: pesquisa qualitativa, a partir de entrevistas com profissionais de saúde de uma Unidade Básica de Saúde de Belo Horizonte-MG, referência para atendimento a essa população. O conteúdo dos depoimentos foi analisado pelo referencial de Bardin. Resultados: os profissionais identificam ações realizadas, a partir do acolhimento sistematizado com vistas à criação de vínculos e abordagem dos principais problemas de saúde. Realizam ações preventivas necessárias e encaminham ou acionam outros serviços, como albergues ou centros pop. Sentem-se satisfeitos e gratificados, apesar de perceberem a necessidade de maior articulação com outros pontos da rede assistencial diante de atendimentos mais complexos ou específicos. Também enfrentam dificuldades para a redução de danos em várias dimensões como vacinação, saúde bucal e geral, saúde mental e prevenção e tratamento de doenças crônicas e infectocontagiosas. Emergiram duas categorias: Identificando ações desenvolvidas pelos profissionais da Atenção Primária e Enfrentando dificuldades e desafios no atendimento a essa população. Conclusões: é preciso ultrapassar preconceitos e conhecer a situação de rua para sua implicação nos cuidados prestados na Atenção Primária, apesar dos dificultadores. Capacitação dos profissionais e planejamento multi e interdisciplinar, em rede, concorrem para qualidade na captação dos indivíduos e sua inserção efetiva nos serviços de saúde.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

Organização das Nações Unidas. Conference of European Statisticians. Twelfth Meeting. Geneva, 2009. Enumeration of homeless people. Counting homeless people in the 2010 census round: use of enumeration and register-based methods. [Internet]. Disponível em: https://unstats.un.org/unsd/censuskb20/KnowledgebaseArticle10634.aspx

Culhane D. Leave No One Behind: Disaggregating Homelessness In Support of SDG 11. [Internet]. Expert Group Meeting On Data Disaggregation. 2016, New York. ESA/STAT/AC.320/24. Disponível em: https://unstats.un.org/sdgs/files/meetings/egm-data-dissaggregation/PPT24-Culhane.pdf .

Organização das Nações Unidas. Report of the Special Rapporteur on adequate housing as a component of the right to an adequate standard of living, and on the right to non-discrimination in this context. 2015. [Internet]. Disponível em: https://www.ohchr.org/en/issues/housing/pages/housingindex.aspx

Neves-Silva P, Heller L. O direito humano à água e ao esgotamento sanitário como instrumento para a promoção da saúde de populações vulneráveis. Ciência & Saúde Coletiva. 2016;21(6):1861-70.

Garey L, Reitzel LR, Kendzor DE, Businelle MS. The Potential Explanatory Role of Perceived Stress in Associations Between Subjective Social Status and Health-Related Quality of Life Among Homeless Smokers. Behavior Modification. 2016:40(1-2):303-24.

Romaszko J, Kuchta R, Opalach C, et al. Socioeconomic Characteristics, Health Risk Factors and Alcohol Consumption among the Homeless in North-Eastern Part of Poland. Central European Journal of Public Health. 2017;25(1):29-34.

Smith OM, Chant C, Burns KEA, et al. Characteristics, clinical course, and outcomes of homeless and non-homeless patients admitted to ICU: A retrospective cohort study. PLoS One. 2017;12(6):e0179207.

Brasil. Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Decreto Nº 7.053, de 23 de dezembro de 2009. Institui a Política Nacional Para Inclusão Social da População em Situação de Rua e seu Comitê Intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento, e dá outras providências. [Internet]. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 23 dez. 2009. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/decreto/d7053.htm

Natalino M. Estimativa da população em situação de rua no Brasil (setembro de 2012 a março de 2020). Ipea - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Diretoria de Estudos e Políticas Sociais (DISOC). Nota Técnica Nº 73, jun. 2020. [Internet]. Livraria Ipea. Disponível em: https://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=35812

Paiva IKS, Lira CDG, Justino JMR, Miranda MGO, Saraiva, AKM. Direito à saúde da população em situação de rua: reflexões sobre a problemática. Ciência & Saúde Coletiva. 2016;21(8):2595-606.

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção a Saúde. Departamento da atenção Básica. Manual sobre o cuidado à saúde junto à população em situação de rua. [Internet]. Brasília, DF. 2012. Disponível em: http://189.28.128.100/dab/docs/publicacoes/geral/manual_cuidado_populalcao_rua.pdf

Borysow IC, Conill EM, Furtado JP. Atenção à saúde de pessoas em situação de rua: estudo comparado de unidades móveis em Portugal, Estados Unidos e Brasil. Ciência & Saúde Coletiva. 2017;22(3):879-90.

Minas Gerais. Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Assessoria de Comunicação Institucional – Ascom. Minas tem mais de 18 mil pessoas em situação de rua [Internet] Novo Portal TJMG. 15 jul. 2020. Disponível em: https://www.tjmg.jus.br/portal-tjmg/noticias/minas-tem-mais-de-18-mil-pessoas-em-situacao-de-rua.htm#.YDVkaNhKjIV

Belo Horizonte. Prefeitura de Belo Horizonte. Terceiro censo da População em Situação de Rua e Migrantes. [Internet]. 2014. Disponível em: http://portalpbh.pbh.gov.br/pbh/ecp/noticia.do?evento=portlet&pAc=not&idConteudo=154144&pIdPlc=&app=salanoticias

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa. Departamento de Apoio à Gestão Participativa. Saúde da população em situação de rua: um direito humano. [Internet]. Brasília, DF, 2014. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/saude_populacao_situacao_rua.pdf

Abreu D, Oliveira WF. Atenção à saúde da população em situação de rua: um desafio para o Consultório na Rua e para o Sistema Único de Saúde. Cadernos de Saúde Pública. 2017;33(2):e00196916.

Brasil. Ministério da Saúde. Portaria Nº 122, de 25 de Janeiro de 2011. Define as diretrizes de organização e funcionamento das Equipes de Consultório na Rua. [Internet]. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 25 jan. 2012. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2012/prt0122_25_01_2012.html

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Coordenação de Área Técnica de Saúde Mental. Nota Técnica Conjunta/2012. Adequação dos Consultórios de Rua e Implantação de novas equipes de Consultório na Rua frente às diretrizes de funcionamento das equipes de Consultório na Rua, estabelecidas pelas portarias 122 e 123, de 25 de janeiro de 2012. [Internet]. Brasília, DF. 2012. Disponível em: http://189.28.128.100/dab/docs/geral/20120412004951716.pdf.

Minayo MCS. O desafio do conhecimento. Pesquisa qualitativa em saúde. 13ª ed. São Paulo: Hucitec - Um livro, 2014. 408p.

Moreira H, Caleffe LG. Metodologia da pesquisa para o professor pesquisador. 2ª ed. Rio de Janeiro: Lamparina, 2008. 248p.

Bardin L. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, 2011. 280p.

Costa KMR, Sousa JJS, Rocha RB, Lino MRB, Brito GV, Sousa NF. Cuidado à saúde da pessoa em situação de rua: debate e relatos para uma abordagem intersetorial. Saúde e Pesquisa. 2017;10(2):251-58.

van Wijk LB; Mângia EF. O cuidado a pessoas em situação de rua pela Rede de Atenção Psicossoacial da Sé. Saúde em Debate. 2017;41(115):1130-42.

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica. Coordenação Geral do Programa Nacional de Controle de Tuberculose. Tratamento Diretamente Observado (TDO) da Tuberculose na Atenção Básica: Protocolo de Enfermagem. [Internet]. Brasília, DF. 2011. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/tratamento_diretamente_observado_tuberculose.pdf

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Boletim Epidemiológico: Detectar, tratar e curar: desafios e estratégias brasileiras frente à tuberculose. [Internet]. Brasília, DF. 2015. Disponível em: http://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2015/marco/25/Boletim-tuberculose-2015.pdf

Alecrim TFA, Mitano F, Reis, AA, Roos CM, Palha PF, Protti-Zanatta ST. Experiência dos profissionais de saúde no cuidado da pessoa com tuberculose em situação de rua. Revista da Escola de Enfermagem da USP. 2016;50(5):808-15.

Jego M, Abcaya J, Stefan DE, Calvet-Montredon C, Gentile S. Improving Health Care Management in Primary Care for Homeless People: A Literature Review. International Journal of Environmental Research and Public Heakth. 2018;15(2):309.

Kami MTM, Larocca LM, Chaves MMN, Piosiadlo LCM, Albuquerque GS. Saberes ideológicos e instrumentais no processo de trabalho no Consultório na Rua. Revista da Escola de Enfermagem da USP. 2016;50(3):440-7.

Roche MA, Duffield C, Smith J, et al. Nurse-led primary health care for homeless men: a multimethods descriptive study. International Nursing Review. 2018;65(3):392-99.

Engstrom EM, Teixeira MB. Equipe "Consultório na Rua" de Manguinhos, Rio de Janeiro, Brazil: práticas de cuidado e promoção da saúde em um território vulnerável. Ciência & Saúde Coletiva. 2016;21(6):1839-48.

Jones K, Brennan D, Parker E, et al. Are oral health-related self-efficacy, knowledge and fatalism indicators for non-toothbrush ownership in a homeless population? Community Dental Health. 2016;33(2):48-53.

Coles E, Freeman R. Exploring the oral health experiences of homeless people: a deconstruction-reconstruction formulation. Community Dentistry Oral Epidemiology. 2016;44(1):53-63.

Santos LM, Noro LRA, Roncalli AG, Teixeira AKM. Autopercepção sobre saúde bucal e sua relação com utilização de serviços e prevalência de dor de dente. Revista Ciência Plural. 2016;2(2):14-27.

March S, Martín MJ, Gomis IM, et al. ¿Qué hacemos en el barrio? Descripción de las actividades comunitarias de promoción de la salud en atención primaria: proyecto frAC. Gaceta Sanitaria. 2014;28(4):267-73.

Hirdes A. A perspectiva dos profissionais da Atenção primária à Saúde sobre o apoio matricial em saúde mental. Ciência & Saúde Coletiva. 2015;20(2):371-82.

Lima M, Dimenstein M. O apoio matricial em saúde mental: uma ferramenta apoiadora de atenção à crise. Interface (Botucatu). 2016;20(58):625-35.

Klein AP, d’Oliveira AFPL. O "cabo de força" da assistência: concepção e prática de psicólogos sobre o apoio matricial no Núcleo de Apoio à Saúde da Família. Cadernos de Saúde Pública. 2017;33(1):e00158815.

Abreu D. Consultório na Rua e Redução de Danos: estratégias de ampliação da vida. Revista Brasileira de Medicina de Família e Comunidade. 2017;12(39):1-2.

Schervinski AC, Merry CN, Evangelista IC, Pacheco VC. Atenção à saúde da população em situação de rua. Revista Eletrônica de Extensão - Extensio. 2017;14(26):55-64.

Silva FP, Frazão IS, Linhares FMP. Práticas de saúde das equipes dos Consultórios de Rua. Cadernos de Saúde Pública. 2014;30(4):805-14.

Ibiapina ARS, Monteiro, CFS, Alencar DC, Fernandes MA, Costa Filho AAI. Oficinas terapêuticas e as mudanças sociais em pacientes com transtornos mentais. Escola Anna Nery. 2017;21(3):e20160375.

Farre AGMC, Pinheiro PNC, Vieira NFC, Gubert FA, Alves MDS, Monteiro EMLM. Promoção da saúde do adolescente baseada na arte/educação e centrada na comunidade. Revista Brasileira de Enfermagem. 2018;71(1):26-33.

Gabrielian S, Chen JC, Minhaj BP, et al. Feasibility and Acceptability of a Colocated Homeless-Tailored Primary Care Clinic and Emergency Department. Journal of Primary Care & Community Health. 2017;8(4):338-44.

O'Donnell P, Tierney E, O'Carroll A, Nurse D, MacFarlane A. Exploring levers and barriers to accessing primary care for marginalised groups and identifying their priorities for primary care provision: a participatory learning and action research study. International Journal for Equity in Health. 2016;15(1):197.

Publicado

19-04-2021

Edição

Seção

ARTIGOS ORIGINAIS